Por Rodrigo Rodrigues
O avanço da gripe aviária no Brasil, embora até agora localizado, já causa reflexos expressivos na economia do setor avícola. Com exportações em queda, aumento dos custos e ameaça à saúde financeira dos produtores, o país enfrenta o desafio de equilibrar medidas sanitárias com a manutenção da competitividade internacional. A resposta do governo e do setor privado nos próximos meses será determinante para evitar uma crise ainda maior.
Embargos e Perdas Bilionárias
Desde o registro de um caso de influenza aviária altamente patogênica em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, mais de 40 países impuseram restrições à importação de carne de frango brasileira. Entre os principais mercados afetados estão China, União Europeia, México e Coreia do Sul.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Brasil deixou de exportar entre 50 mil e 100 mil toneladas de carne de frango desde o início da crise. O impacto estimado pode ultrapassar US$ 1 bilhão em perdas nas exportações em 2025, afetando diretamente a rentabilidade dos produtores e das grandes integradoras.

Produção Recorde, Mas com Riscos
Mesmo diante da crise sanitária, o setor avícola fechou 2024 com produção recorde: 15,31 milhões de toneladas de carne de frango, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As exportações somaram 5,16 milhões de toneladas, com queda de 18% na demanda chinesa.
Para 2025, a projeção é de novo crescimento: 15,66 milhões de toneladas produzidas e 5,31 milhões exportadas. No entanto, os números podem não se confirmar caso os embargos comerciais se prolonguem ou novos focos da doença sejam identificados.

Inadimplência Preocupa Setor
A retração nas exportações, combinada à necessidade de abates sanitários e aos custos adicionais com medidas de biosseguridade, compromete o fluxo de caixa dos produtores. Pequenos e médios avicultores — em especial os integrados a cooperativas e frigoríficos — têm enfrentado dificuldades para honrar compromissos financeiros, aumentando os índices de inadimplência no campo.
Instituições financeiras já observam sinais de risco de crédito no setor, com tendência de aumento nos pedidos de renegociação de dívidas. Além disso, a restrição no acesso ao crédito agrava o cenário, dificultando a manutenção das operações em muitas propriedades.

Setor Pede Agilidade em Protocolos e Apoio
Entidades do agronegócio têm cobrado agilidade nas negociações diplomáticas para a retomada das exportações e a aplicação de protocolos internacionais que garantam zonas livres da doença em estados não afetados.
“A avicultura é um setor estratégico para a economia brasileira. Precisamos garantir previsibilidade e acesso a mercados mesmo diante de situações sanitárias controladas”, afirma um representante da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Panorama do Setor
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Produção de carne de frango em 2024: 15,31 milhões de toneladas
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Exportações em 2024: 5,16 milhões de toneladas
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Projeção para 2025: 15,66 milhões de toneladas produzidas e 5,31 milhões exportadas
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Perda estimada por embargos: até US$ 1 bilhão
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Exportações perdidas: entre 50 mil e 100 mil toneladas
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Principais estados produtores: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul





























