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Um acordo para a China comprar mais produtos agrícolas dos EUA pode levar o Brasil a explorar as lacunas deixadas pelas exportações americanas em outros mercados, já que Washington concentra as exportações no principal parceiro comercial do Brasil, disseram especialistas do setor nesta segunda-feira.
As estimativas do impacto do acordo anunciado no domingo pela Casa Branca no setor agrícola brasileiro podem ser prematuras, embora a competitividade do Brasil possa levar o país a buscar novos mercados, disseram os especialistas.
As exportações agrícolas brasileiras para a China atingiram US$ 55,22 bilhões em 2025 — cerca de um terço do total das vendas externas do setor no ano passado —, segundo dados do governo. A soja representou US$ 34,5 bilhões desse total, seguida pela carne, com US$ 9,82 bilhões.
A Casa Branca estima compras adicionais de soja americana pela China em 25 milhões de toneladas métricas e, caso se concretizem, o Brasil provavelmente redirecionará seus próprios fluxos comerciais, afirmou a corretora Stag International.
“Um programa de compra de soja chinês de 25 milhões de toneladas deslocaria principalmente os compradores de fora da China para o Brasil e outros países”, afirmou a corretora em um relatório.
Segundo a Stag, o Brasil permanece estruturalmente competitivo e, com uma previsão de safra recorde de mais de 180 milhões de toneladas em 2026, deverá continuar a capturar uma demanda significativa fora da China.
Os grupos de comercialização e processamento de soja Anec e Abiove não responderam imediatamente às perguntas.
Ironicamente, o Brasil poderia aumentar as exportações de carne bovina para os EUA se o país norte-americano — que enfrenta escassez de oferta — direcionasse mais de seu produto para a China.
“Em princípio, se a renovação das aprovações das fábricas americanas (pela China) for confirmada, poderá haver interesse dos Estados Unidos em recuperar parte de sua participação no mercado chinês. Dado o grande déficit na produção americana para atender à demanda interna, poderão surgir oportunidades para outros países, como o Brasil, expandirem as vendas para os EUA”, afirmou Paulo Mustefaga, CEO do grupo industrial Abrafrigo.
A China renovou mais de 400 licenças de exportação expiradas para processadores de carne bovina dos EUA, segundo o site da alfândega chinesa na sexta-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, concluírem uma cúpula em Pequim.
“Vale ressaltar que os Estados Unidos, assim como o Brasil, também estão sujeitos a uma cota de exportação de carne bovina em virtude de medidas de salvaguarda (impostas pela China), o que deve limitar qualquer expansão das vendas americanas para o mercado chinês”, acrescentou Mustefaga.
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