Por Flávio Meireles
Os Estados Unidos estão em negociações com o Brasil para chegar a um acordo sobre as cadeias de suprimento de minerais críticos, disse o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, nesta quarta-feira, em meio a tensões diplomáticas com o governo federal brasileiro, que se retirou do fórum sobre minerais críticos patrocinado pela embaixada dos EUA na semana passada.
“Temos uma proposta de acordo em nível federal. Estamos discutindo, tivemos algumas conversas preliminares, mas ainda estamos aguardando”, disse Escobar após assinar um acordo separado com o estado de Goiás em uma cerimônia realizada antes do evento.
Representantes do governo do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não puderam comparecer ao Fórum Brasil-EUA sobre Minerais Críticos em São Paulo devido a um conflito de agenda com um compromisso anterior, informou um porta-voz.
O evento, patrocinado pela embaixada dos EUA e realizado na Câmara Americana de Comércio em São Paulo, teve como objetivo incentivar o networking entre investidores americanos e empresas brasileiras interessadas na produção de minerais críticos. Citi e Anglo American estavam entre as empresas presentes.
Os EUA têm se esforçado para obter acesso a reservas de minerais críticos, especialmente às cadeias de suprimento de terras raras atualmente dominadas por empresas chinesas.
Washington vê o Brasil como um alvo potencial para investimentos de bilhões de dólares, disse um porta-voz da embaixada dos EUA, acrescentando que US$ 600 milhões já foram investidos pela Corporação Financeira de Desenvolvimento e pelo Banco EXIM.
ATRITO DIPLOMÁTICO
No entanto, as tensões diplomáticas entre Washington e Brasília lançaram uma sombra sobre o evento na embaixada.
Autoridades de Brasília retiraram-se do país em meio ao deterioramento das relações bilaterais, após um representante da extrema-direita americana ter solicitado, na semana passada, uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. Brasília interpretou a solicitação como uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil. O país impediu a entrada do enviado, alegando “falsificação” dos motivos da visita.
Autoridades brasileiras receberam uma proposta de memorando de entendimento em fevereiro, disseram três fontes à Reuters. Mas, ao que tudo indica, tratava-se de uma cópia de uma proposta enviada a outro país, inclusive com o nome do país errado, disse uma fonte à Reuters. O erro foi corrigido posteriormente.
As fontes disseram que estão em curso negociações com o gabinete do Representante Comercial dos EUA, como parte de uma possível visita de Lula a Washington.
No entanto, um encontro entre Lula e o presidente Donald Trump, que estava previsto para ocorrer em Washington neste mês, foi adiado em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã e ao atrito diplomático entre o Brasil e os Estados Unidos.
PROCESSAMENTO LOCAL
Autoridades federais brasileiras expressaram frustração em privado com a decisão dos EUA de assinar o acordo com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adversário político de Lula. A medida foi vista como uma tentativa de contornar o governo federal, afirmou uma autoridade brasileira que acompanhou o caso.
O acordo estabelece a cooperação entre os EUA e Goiás em diversas áreas, como o mapeamento do potencial mineral, a conexão de mineradores locais com a tecnologia americana e a melhoria das regulamentações, afirmou o governo estadual em comunicado.
Goiás possui reservas de lítio e nióbio e abriga a única empresa que produz comercialmente terras raras no Brasil, a Serra Verde, apoiada pelos EUA.
O governo estadual afirmou que o acordo visa promover “capacidades de processamento e fabricação com valor agregado, incluindo a separação de terras raras” em Goiás.
Segundo um funcionário do Ministério do Comércio Exterior brasileiro, que pediu anonimato para discutir as negociações em andamento, avançar no processamento interno é uma prioridade para Lula.
Autoridades americanas veem potencial para investimentos de bilhões de dólares e identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil que poderiam impulsionar os esforços internacionais para diversificar o fornecimento, reduzindo o domínio da China em minerais críticos.
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