Por Flavio Meireles
Especial para o Jornal Kapital
O Brasil de hoje, referência global em produção de alimentos, deve parte significativa de sua força agrícola à transformação que ocorreu no coração do país: o estado de Mato Grosso. Se atualmente o estado lidera a produção nacional de grãos, carnes e fibras, isso se deve à ação visionária de duas figuras centrais da política mato-grossense — o senador Jonas Pinheiro e o ex-governador Dante de Oliveira.
Ambos foram responsáveis por pavimentar o caminho que tirou Mato Grosso da condição de fronteira agrícola nos anos 1980 e o transformou, nas décadas seguintes, no carro-chefe do agronegócio brasileiro.

Jonas Pinheiro: o homem do campo no Senado
Engenheiro agrônomo por formação e produtor rural por convicção, Jonas Pinheiro foi um dos maiores defensores do campo em Brasília. Atuando por décadas como deputado federal e depois senador, Pinheiro foi autor e relator de projetos fundamentais para o desenvolvimento do agronegócio nacional — sempre com foco especial em Mato Grosso.

Foi ele quem articulou a defesa técnica da produção agrícola tropical, ajudando a consolidar a Embrapa e outras instituições de pesquisa no cerrado. Lutou por crédito agrícola, leis de incentivo à irrigação, zoneamento agrícola e infraestrutura de escoamento. Pinheiro era a voz do agro no Congresso muito antes de o setor virar protagonista da economia brasileira.
Seu trabalho ajudou a consolidar um modelo técnico e empresarial de agricultura, altamente produtivo e com base científica, que viria a florescer justamente em Mato Grosso nas décadas seguinte.

Dante de Oliveira: o governador que preparou o terreno
Se Jonas Pinheiro foi a voz do agronegócio em Brasília, Dante de Oliveira foi o gestor que tornou possível o crescimento de fato do setor dentro de Mato Grosso. Governador entre 1995 e 2002, Dante entendeu que, para o agro prosperar, era preciso investir pesado em infraestrutura — especialmente onde não havia nada.
Seu governo levou energia elétrica para áreas rurais antes isoladas, expandiu as estradas estaduais, investiu em educação técnica e programas de incentivo à produção. E, sobretudo, articulou a chegada da ferrovia ao estado, com um olhar estratégico voltado para o escoamento da safra.
Mato Grosso passou, sob seu comando, a ter uma base logística e institucional sólida — condição essencial para atrair investimentos, fixar produtores e permitir a industrialização parcial da produção no próprio estado.

Da década de 80 à liderança global
Nos anos 1980, a produção de grãos em Mato Grosso mal chegava a 2 milhões de toneladas anuais. Hoje, o estado colhe mais de 90 milhões de toneladas por ano, entre soja, milho, algodão e outras culturas. Saiu de coadjuvante para protagonista absoluto.
A pecuária também deu um salto: de atividade extensiva e de baixa produtividade para uma cadeia moderna, rastreável e voltada para exportação. Em 2024, Mato Grosso é o maior exportador de carne bovina do país.
Essa transformação não é obra do acaso, mas sim da combinação entre visão política, investimento público e capacidade empreendedora do produtor rural.

Legado e comparação
Comparando os anos 1980 e 1990 com o cenário atual, a evolução é impressionante. O Brasil, que importava alimentos na década de 70, hoje alimenta mais de um bilhão de pessoas no mundo. E Mato Grosso é o maior responsável por esse salto.
O legado de Jonas Pinheiro e Dante de Oliveira é, portanto, estrutural. Eles não apenas serviram ao seu estado — ajudaram a redefinir o papel do Brasil no mundo.

Editorial Kapital
A história do Brasil precisa ser contada com justiça. Antes do agro virar “pop”, havia gente trabalhando, lutando e planejando. Jonas Pinheiro e Dante de Oliveira estavam entre os que acreditaram no impossível e apostaram no cerrado.
Enquanto o mundo discute segurança alimentar e sustentabilidade, o Brasil é exemplo de superação — e deve parte disso à coragem de dois mato-grossenses que entenderam que o futuro se planta.




























