Por Rodrigo Rodrigues
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva está inclinado a nomear os economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para cargos de diretores do Banco Central, conforme sugerido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disseram à Reuters duas pessoas familiarizadas com o assunto.
É provável que Lula apoie as escolhas de Haddad, apesar da resistência dentro do banco central e em alguns setores do mercado financeiro, disseram as fontes sob condição de anonimato.
Mello é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), amplamente considerada um centro de pensamento econômico heterodoxo no Brasil, e atualmente atua como secretário de política econômica de Haddad.
Cavalcanti é professor na Universidade de Cambridge e possui doutorado em economia pela Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.
Na terça-feira, Haddad disse em entrevista ao BandNews que havia sugerido esses candidatos, mas ressaltou que Lula ainda não havia tomado uma decisão final sobre suas indicações.
O ministro se pronunciou publicamente depois que o nome de Mello vazou para a imprensa e atraiu críticas de alguns investidores, disseram as fontes, acrescentando que Haddad concordou, em conversa com Lula, em mencionar publicamente esses dois potenciais candidatos.
Mello, Cavalcanti e a presidência do Brasil não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
Desde o início de janeiro, o banco central tem duas das nove vagas em seu comitê de definição de taxas de juros: uma responsável pela política econômica, função considerada fundamental para os estudos técnicos que embasam as decisões sobre as taxas, e outra que supervisiona a organização do sistema financeiro.
Haddad não especificou qual candidato ocuparia cada cargo, mas as duas fontes disseram que Mello seria escolhido para a política econômica e Cavalcanti para a supervisão do sistema financeiro.
Nos últimos dias, investidores expressaram preocupação com a possibilidade de a nomeação de Mello inclinar a política monetária para uma direção mais política, após notícias de que Haddad o teria indicado para um cargo no banco central.
Operadores disseram à Reuters na segunda-feira que as notícias haviam impulsionado fortemente as taxas de juros de longo prazo, acentuando a inclinação da curva de rendimento na maior economia da América Latina.
Mello também enfrenta resistência dentro do banco central, disseram duas fontes distintas com conhecimento do assunto, acrescentando que seu nome não foi coordenado nem endossado pela autoridade monetária.
Um deles observou que normalmente se espera que os candidatos ao cargo tenham experiência de mercado, como por exemplo, terem atuado como economistas-chefes em instituições financeiras – algo que Mello não possui, baseando-se, em vez disso, em sua formação acadêmica.
Haddad elogiou ambos os candidatos e rejeitou as críticas do mercado a Mello, afirmando que o secretário havia previsto corretamente diversos indicadores nos últimos anos. Ele chamou Cavalcanti de “uma grande estrela brasileira” na economia internacional.
Haddad, que já havia declarado sua intenção de deixar o Ministério da Fazenda neste mês, reconheceu que vem conversando com Lula sobre a possibilidade de se candidatar ao governo do estado de São Paulo.
Ele afirmou, no entanto, que o que mais deseja é participar da campanha de reeleição de Lula. “É o que eu acho que posso fazer melhor”, disse Haddad.
Muitos no Partido dos Trabalhadores (PT), de esquerda, liderado por Lula, veem a disputa pelo governo do estado mais rico e populoso do Brasil como uma plataforma fundamental para a candidatura do presidente a um quarto mandato não consecutivo nas eleições de outubro.
Em 2022, Haddad candidatou-se ao cargo de governador, mas perdeu para o então governador de direita, Tarcisio de Freitas, que atualmente detém uma ampla vantagem nas pesquisas de opinião.
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