Brasil acelera na rota elétrica: vendas de veículos disparam e indústrias se adaptam ao novo cenário

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Por Rodrigo Rodrigues

O Brasil vive um ponto de inflexão na transição energética de sua frota automotiva. O mercado de veículos elétricos (VEs), até pouco tempo restrito a nichos de alto poder aquisitivo, agora dá sinais de massificação. A tendência acompanha o movimento global de descarbonização e ganha impulso com novos investimentos industriais, incentivos fiscais e maior conscientização ambiental.

Crescimento recorde em 2024

De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil encerrou 2024 com um crescimento de 95% nas vendas de carros eletrificados em comparação com 2023. Foram mais de 170 mil unidades comercializadas, entre elétricos puros (BEVs) e híbridos plug-in (PHEVs). Os elétricos a bateria cresceram 123% no mesmo período, demonstrando um claro avanço sobre os híbridos convencionais.

“O brasileiro perdeu o medo da eletrificação”, afirma Ricardo Bastos, presidente da ABVE. “Com a expansão da infraestrutura de recarga, os incentivos governamentais e a entrada de novos modelos mais acessíveis, o consumidor está começando a fazer a troca.”

Fábricas se adaptam ao novo ciclo

A indústria automotiva também está respondendo à tendência. Em 2024, montadoras como BYD, GWM (Great Wall Motors), Caoa Chery, Volkswagen, Stellantis e Renault anunciaram investimentos robustos em produção local de veículos elétricos e híbridos.

A chinesa BYD, por exemplo, está finalizando a construção de um grande complexo industrial em Camaçari (BA), no terreno da antiga fábrica da Ford, com previsão de início de produção em 2025. O investimento ultrapassa R$ 3 bilhões, e o objetivo é transformar a planta baiana em um polo de exportação para toda a América Latina.

A Volkswagen também anunciou uma nova linha híbrida em São Bernardo do Campo (SP), com foco inicial nos modelos flex-híbridos, adaptados à realidade do etanol no Brasil. Já a GWM iniciou a produção de SUVs híbridos em Iracemápolis (SP), com planos de lançar modelos 100% elétricos até 2026.

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Projeções para os próximos anos

Especialistas projetam que, mantido o ritmo de crescimento, os eletrificados podem representar até 25% das vendas de carros novos até 2030. Um estudo da consultoria McKinsey aponta que o Brasil pode atingir a marca de 1 milhão de veículos elétricos em circulação até 2028, se houver continuidade nos incentivos e expansão da rede de recarga.

O governo federal, por sua vez, promete lançar até o final de 2025 um novo programa nacional de eletromobilidade, focado em estímulos à produção local de baterias, desoneração para VEs e ampliação da infraestrutura pública de carregamento — atualmente com cerca de 4 mil eletropostos em operação no país.

Desafios pela frente

Apesar do otimismo, a transição ainda enfrenta entraves. O preço dos veículos elétricos, mesmo com queda gradual, ainda é alto para a maioria da população. Além disso, o custo das baterias, a dependência da cadeia asiática e a carência de componentes nacionais continuam sendo obstáculos à produção em larga escala.

“O Brasil precisa investir em uma política industrial que integre universidades, montadoras e fornecedores, especialmente no setor de baterias, onde ainda somos extremamente dependentes”, avalia a economista Fernanda De Negri, do Ipea.

Conclusão: uma nova era se anuncia

O Brasil já está na pista da mobilidade elétrica. Embora o país ainda esteja longe de potências como China e Alemanha em volume de produção, o avanço recente mostra que o futuro da mobilidade nacional será inevitavelmente mais limpo, tecnológico e sustentável. Agora, o desafio é garantir que essa transformação seja também inclusiva, estratégica e duradoura.

 Tempo da Mobilidade Elétrica no Brasil
2012 – Lançamento do primeiro carro elétrico oficialmente vendido no Brasil: o Mitsubishi i-MiEV, com baixíssima penetração no mercado.
2019 – Crescimento de modelos híbridos importados, como o Toyota Prius e o Lexus CT 200h.
2020 – Início da operação dos primeiros eletropostos públicos em São Paulo e Brasília.
2022 – Vendas de veículos eletrificados ultrapassam 50 mil unidades pela primeira vez.
2023 – Chegada oficial da GWM e BYD ao Brasil com planos industriais.
2024 –
•Explosão nas vendas de eletrificados (crescimento de 95%).
•Anúncio de investimento de R$ 3 bilhões da BYD em Camaçari (BA).
•VW anuncia fábrica de híbridos em São Bernardo (SP).
•Governo federal inicia consulta pública sobre programa nacional de eletromobilidade.
2025 (em curso) –
•Previsão de início da produção da BYD na Bahia.
•Governo lançará o Programa Nacional de Eletromobilidade com incentivos fiscais e foco em cadeia produtiva local.
•Número de eletropostos ultrapassa 5 mil.
•Montadoras nacionais iniciam testes com veículos flex-híbridos e 100% elétricos acessíveis.
2026 –
•GWM começa a produzir veículos 100% elétricos no Brasil.
•Possível início de produção nacional de baterias com joint ventures sino-brasileiras.
2028 –
•Frota de veículos elétricos no Brasil deve ultrapassar 1 milhão de unidades.
•A rede de recarga começa a se expandir para áreas remotas e rodovias interestaduais.
2030 (projeção) –
•25% das vendas de carros novos no Brasil devem ser de veículos eletrificados.
•Cadeia de fornecimento nacional de baterias começa a se consolidar.
•Incentivos fiscais e créditos de carbono para frotas sustentáveis se tornam política permanente.

 

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