O ativista brasiliense acompanha Greta Thunberg e o ator Liam Cunningham em uma missão humanitária para Gaza. Segundo Thiago, o intuito é atender a população palestina
Por Luiz Fellipe Alves e Leonardo Rodrigues, do Correio Braziliense
“E se fosse no Brasil?” É a reflexão que o ativista brasiliense Thiago Ávila faz enquanto viaja à Faixa de Gaza em uma missão humanitária. Em alto-mar, ele falou com exclusividade ao Correio, sobre a jornada até o local disputado entre Palestina e Israel. Integrando a equipe de 12 voluntários, ele embarcou no domingo (1º/6) na missão da Coalizão Flotilha da Liberdade. Segundo o coordenador internacional da organização, o objetivo é romper o bloqueio imposto por Israel.
“Estamos no quarto dia de viagem, na metade do caminho. Queremos levar ajuda humanitária, como alimentos, medicamentos, filtros de água, próteses e muletas para crianças que sofreram amputação”, afirmou Thiago. O brasileiro conta ainda que a ideia é pressionar o “Estado genocida de Israel” a abrir um corredor humanitário para que mais barcos consigam levar ajuda para Gaza. “Não queremos que fique dependendo apenas do controle de Israel. Eles não têm a intenção de alimentar ou de sanar as necessidades daquele povo e, sim, de dominar e expulsá-los”, declarou.
Essa é a quarta missão que o ativista participa em apoio a Gaza. “Me encontrei nesse processo de colaboração”, comentou. Além das missões em Gaza, ele já participou de outras ações humanitárias, uma delas no Líbano. Para ele, o propósito de vida é servir à humanidade. “É um trabalho de formiguinha de quem está lutando para acabar com a exploração, as opressões e a destruição da natureza”, afirmou.
Momentos de tensão
Em uma de suas redes sociais, ele publicou um vídeo com Greta Thunberg — outra ativista que integra o grupo da Coalização. Eles relataram que estavam sendo monitorados por drones na madrugada da última terça-feira (03/06). Veja o vídeo:
Apesar do clima hostil que permeia os voluntários, Thiago esclarece que toda a equipe passou por treinamentos para se proteger caso a situação saia do controle. “Nos preparamos para enfrentar quatro cenários distintos”, disse. Os cenários que ele cita são:
- A embarcação ser parada no porto e não conseguir sair para a missão. Fato que aconteceu outras vezes;
- Chegar próximo a Faixa de Gaza e ser interceptado por Israel. O barco tem o controle tomado e os tripulantes presos, geralmente com violência, em uma unidade prisional em Israel até a deportação;
- Ataques de drones à embarcação, como a que aconteceu no início de maio com o barco Conscience.
- Conseguir chegar em Gaza e realizar a missão
Mesmo sob o risco de um cenário mais violento, a equipe é treinada para não reagir às agressões. Todas as missões realizadas pela coalizão têm o objetivo de denunciar o genocídio em Gaza e fazer uma documentação das violências. “Apostamos na visibilidade e na denúncia. Essas são a nossa maior defesa nesse momento”, alegou.




























