Caracas alegou que a “política de agressão” contra a Venezuela faz parte de um “plano deliberado para saquear nossos recursos energéticos”.

Foto aproximada de Donald Trump falando

A empresa de gestão de riscos marítimos Vanguard Tech identificou o petroleiro como “SKIPPER”.

“A embarcação faz parte de uma frota clandestina e foi alvo de sanções dos Estados Unidos por transportar petróleo venezuelano para exportação”, afirmou a empresa.

Para a Vanguard, a última localização do navio antes da apreensão pelos EUA foi a nordeste de Caracas, capital da Venezuela.

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A reportagem localizou o petroleiro na plataforma MarineTraffic, segundo a qual ele navegava sob a bandeira da Guiana quando sua posição foi atualizada pela última vez, há dois dias.

A ação ocorre em um momento em que os EUA vêm aumentando sua presença militar no Caribe — em uma movimentação que, segundo o governo americano, visa combater o narcotráfico.

Um militar de alto escalão disse que a operação para apreender o petroleiro envolveu dois helicópteros, 10 membros da Guarda Costeira, 10 fuzileiros navais, além de forças especiais.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, estava ciente da operação para captura, e o governo Trump está considerando tomar mais medidas como essa, disse a fonte à CBS.

Mark Cancian, coronel da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, afirmou à BBC que operações para apreender petroleiros são “rotineiras” para os militares americanos.

As tropas treinam constantemente para apreender navios como esse, seja por meio de pequenas embarcações ou helicópteros, explica ele.

Para ele, que agora é consultor sênior do centro de pesquisas CSIS Defense and Security Department, a ação desta quarta-feira pode ser o primeiro passo para um bloqueio total do petróleo da Venezuela.

“Isso seria um ataque à economia deles. Como a Venezuela é tão dependente do petróleo, não conseguiria resistir por muito tempo”, analisou Cancian.

Homens se aproximando de cabine

Crédito,Reprodução/X

Preços do petróleo em alta

Os contratos futuros de petróleo subiram após a notícia da apreensão.

Os contratos futuros do petróleo do tipo Brent, referência para os mercados europeu e asiático, subiram 27 centavos, ou 0,4%, fechando a US$ 62,21 o barril.

Já os contratos futuros do petróleo bruto WTI, referência para os EUA, aumentaram 21 centavos, também 0,4%, fechando a US$ 58,46 o barril.

O governo Trump acusa Maduro — cuja reeleição no ano passado foi considerada fraudulenta por muitos países — de ser o líder de um cartel de drogas.

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Maduro nega a alegação e vem acusando os EUA de tentarem incitar uma guerra para obter o controle das reservas de petróleo da Venezuela.

Desde que Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro, o governo dos EUA tem intensificado a pressão sobre Maduro.

O primeiro ato do presidente sobre a Venezuela, em fevereiro, foi designar organizações criminosas do país como grupos terroristas.

Isso abriu caminho para deportações nos EUA de dezenas de venezuelanos, acusados pelo governo americano de integrarem esses grupos.

Depois, as deportações acabaram suspensas por uma decisão da Justiça americana.

Maduro gesticulando enquanto fala ao microfone, com bandeira da Venezuela ao fundo

Crédito,Reuters

Em agosto, o governo americano dobrou a recompensa oferecida por informações que levem à captura de Maduro para US$ 50 milhões (R$ 274 milhões) e lançou uma operação de combate ao narcotráfico visando embarcações acusadas de transportar drogas da Venezuela para os EUA.

Mais de 80 pessoas já foram mortas nos ataques americanos a embarcações suspeitas desde então, a maioria no Caribe, além de algumas no Pacífico.

Segundo o secretário Pete Hegseth, o objetivo da “Operação Lança do Sul” é remover “narcoterroristas” do Hemisfério Ocidental.

Mas especialistas jurídicos questionam a legalidade dos ataques, apontando que os EUA não apresentaram provas de que as embarcações transportavam drogas.

Mais recentemente, houve relatos de conversas telefônicas entre Trump e Maduro — com um ultimato do governo americano para que o venezuelano deixe o país.

O presidente americano afirmou nesta quarta-feira que a última vez que falou com Maduro foi em novembro.

Os EUA também autorizaram operações especiais da agência de inteligência CIA na Venezuela e ameaçaram realizar uma ação terrestre no país.

Cidadãos americanos receberam a recomendação de não visitar a Venezuela ou deixar o país, caso estejam lá.