Morre Lo Borges

Lo Borges, fundador do Clube da Esquina, morre aos 73 anos

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Por Rodrigo Rodrigues
Morreu nesta segunda-feira (3), aos 73 anos, em Belo Horizonte, o músico, compositor e cantor Lo Borges — um dos pilares fundadores do Clube da Esquina e autor de algumas das melodias mais influentes da história da música brasileira. .
O início e a formação musical
Leonardo “Lo” Borges nasceu na capital mineira em 1952. Irmão de Márcio Borges — principal letrista do Clube — Lo cresceu cercado de música, literatura e um ecossistema cultural que culminaria em um dos movimentos mais originais da MPB.
Ainda adolescente, Lo encontrou Milton Nascimento, Toninho Horta, Beto Guedes, Wagner Tiso, Ronaldo Bastos e Fernando Brant — conexões que iriam construir um idioma novo, mineiro, universal, coletivo.
O Clube da Esquina
No início dos anos 70, a cena de Santa Tereza, em BH, transformou-se em um laboratório vivo. Não era apenas música — era identidade. Rock inglês, jazz modal, música regional, psicodelia, Beatles, bossa nova, lírica latino-americana… tudo se fundia com naturalidade.
Em 1972, com apenas 20 anos, Lo Borges corassina e grava junto com Milton Nascimento o álbum Clube da Esquina, considerado um dos discos mais importantes da música mundial.
O disco solo histórico — o “disco do tênis”
No mesmo ano, Lo Borges lança seu disco solo — a icônica capa com o tênis azul.
Hoje cultuado internacionalmente, referência técnica de compositores, produtores e músicos de várias gerações.
Lo Borges se tornou símbolo permanente da ruptura criativa mineira.
Ele mostrava que Minas não precisava imitar São Paulo ou o Rio de Janeiro — Minas ditava linguagem própria.
Clássicos eternos
Entre suas canções mais conhecidas e regravadas estão:
•O Trem Azul
•Paisagem da Janela
•Um Girassol da Cor do Seu Cabelo
•Clube da Esquina nº 2
•Tudo que Você Podia Ser
•Para Lennon e McCartney
•Nuvem Cigana
Não são apenas sucessos — são canções que se tornaram patrimônio afetivo brasileiro.
Legado
Lo Borges influenciou gerações inteiras: do pop mineiro dos anos 90, ao indie brasileiro dos anos 2000, à nova música alternativa nacional dos anos 2020.
Se o Brasil teve movimentos musicais hegemônicos centrados em grandes polos culturais, Minas criou a exceção: ela mesma.
A obra de Lo prova que há genialidade fora do eixo dominante.
E prova que revoluções também podem ser feitas sem gritar.
O Brasil perde hoje um de seus compositores mais singulares.
A poesia harmônica que Lo Borges ofereceu ao país seguirá atravessando décadas — como trilha sonora permanente da memória cultural brasileira.
Lo Borges se torna eterno exatamente como compôs: silencioso, profundo e mineiro
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