Gala Rizzato

GALA: A ITALIANA QUE DISSE “NÃO” AO DINHEIRO E “SIM” AO AMOR

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Por Rodrigo Rodrigues

 

O nascimento de um hino eletrônico

Em meados da década de 1990, uma batida eletrônica ecoava pelas pistas de dança da Europa: “Free From Desire”. A voz por trás do sucesso era de uma artista ítalo-americana chamada Gala Rizzatto, nascida em Milão em 1975. Filha de um crítico de arte e de uma fotógrafa, Gala cresceu cercada por expressões culturais e pela filosofia de que a arte deve libertar — não aprisionar. O single lançado em 1996 virou um símbolo do eurodance e ainda hoje ressurge em estádios, festivais e trilhas de filmes.

O sucesso que ela não quis

Com o sucesso avassalador da música, que liderou paradas no Reino Unido, França, Bélgica e mais de 20 países, a indústria fonográfica se aproximou com propostas milionárias. Gravadoras e empresários queriam transformar Gala em uma máquina de hits. A própria cantora, em entrevistas posteriores, confessou ter sido pressionada a mudar sua imagem e a cantar músicas “mais comerciais”.

Mas Gala recusou. Rejeitou contratos que lhe garantiriam fortunas e fama global. Sua justificativa foi simples e contundente: “A música é minha liberdade. Não quero ser um produto.” Essa postura a tornou uma exceção num mercado dominado pelo marketing e pelo culto ao dinheiro.

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A música como manifesto

Após o turbilhão de “Free From Desire”, Gala lançou novas composições que seguiam um caminho mais autoral, entre o eletrônico e o alternativo. Entre elas, uma canção que virou quase um manifesto: “We Don’t Want Money, We Want Love” (“Não queremos dinheiro, queremos amor”).

A letra é direta, quase provocativa, e ecoa sua filosofia de vida: a recusa em transformar arte em mercadoria. Enquanto muitos artistas da mesma geração mergulharam em parcerias comerciais e contratos de publicidade, Gala manteve-se fiel à própria voz — literalmente e simbolicamente.

Liberdade como estilo de vida

Morando entre Nova York e Londres, Gala preferiu a discrição. Continuou compondo, produzindo e lançando seus próprios trabalhos de forma independente. Gravou álbuns como “Faraway” (1997) e “Tough Love” (2009), explorando temas de emancipação, amor e identidade. Mesmo sem o mesmo alcance do sucesso inicial, conquistou uma base fiel de fãs que admira sua coerência.

Em tempos em que a indústria musical premia algoritmos e números de streams, Gala tornou-se uma figura quase filosófica: uma artista que poderia ter tido tudo, mas escolheu o essencial — a integridade.

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Um símbolo atemporal

“Free From Desire” voltou a ganhar o mundo nas últimas décadas, sendo regravada, remixada e usada como hino esportivo. Mas seu significado ultrapassa o som contagiante: fala sobre libertar-se das amarras do consumo, do status e da obsessão por sucesso.

Quando a letra diz “my lover’s got no money, he’s got his strong beliefs”, Gala não fala apenas de amor, mas de valores. Uma mensagem que se mantém viva quase trinta anos depois — talvez mais atual do que nunca.

 O  triunfo da coerência

Gala é, hoje, um caso raro de artista que sobreviveu ao próprio sucesso sem se vender a ele. Sua trajetória prova que é possível fazer arte fora dos moldes da indústria e, mesmo assim, permanecer relevante.

Ela não apenas cantou sobre liberdade — ela viveu a liberdade.

E quando canta “We don’t want money, we want love”, o que ecoa não é apenas uma melodia: é uma declaração de princípios.

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