Editorial JK
Os Estados Unidos se apresentam ao mundo como a “maior democracia do planeta”. Vendem a ideia de liberdade, igualdade e poder popular como se fossem um exemplo a ser seguido. Mas basta olhar de perto para perceber que a chamada “democracia americana” não passa de uma vitrine bem iluminada: por trás dela, o que existe é uma disputa de poder entre oligarcas e grandes corporações.
O voto que vale pouco
No papel, cada cidadão americano tem um voto. Na prática, esse voto quase não pesa. Campanhas milionárias são financiadas por grandes bancos, indústrias armamentistas, petroleiras e empresas de tecnologia. O resultado é que políticos eleitos ficam de joelhos diante de seus financiadores, não diante do povo.
Além disso, o sistema eleitoral americano é cheio de distorções. Distritos são manipulados para favorecer partidos (“gerrymandering”), e o colégio eleitoral pode eleger um presidente que teve menos votos populares — como já aconteceu. Ou seja, a vontade popular é facilmente contornada pelo sistema.
A captura do governo pelo dinheiro
Diversos estudos já comprovaram: o que realmente influencia as decisões em Washington não é a opinião da maioria, mas os interesses da elite econômica. Quando bilionários ou grandes empresas querem algo, têm acesso direto a congressistas, senadores e até presidentes. Já o cidadão comum, no máximo, assina uma petição online que dificilmente será levada a sério.
Corporações como verdadeiros governantes
O famoso alerta do presidente Eisenhower, nos anos 1960, sobre o “complexo industrial-militar” nunca foi tão atual. Empresas de armas, petrolíferas, farmacêuticas e gigantes da tecnologia dominam o jogo político. São elas que pressionam por guerras, mudanças de lei, cortes de impostos e regulações favoráveis. O governo, em vez de ser fiscalizador, vira sócio desses interesses.
O teatro de dois partidos
Democratas e Republicanos são apresentados como rivais mortais, mas no fundo compartilham a mesma base de apoio: os grandes doadores e as corporações. Divergem em temas sociais, como aborto, imigração e armas, mas quando o assunto é proteger bancos, financiar guerras ou manter privilégios do capital, os dois partidos se unem. É o que alguns analistas chamam de “teatro da alternância”, em que os atores mudam, mas o roteiro continua o mesmo.
E o povo nisso tudo?
O cidadão americano se transforma em espectador. Vota de tempos em tempos, discute política nas redes sociais, mas as grandes decisões — aquelas que realmente mudam o rumo do país — são tomadas em reuniões fechadas entre bilionários, lobistas e políticos. Não é à toa que cresce a descrença com a política e o aumento da polarização, que muitas vezes serve apenas como cortina de fumaça.
O contraponto chinês
Se por um lado os EUA se apresentam como um modelo de democracia, por outro, a China é frequentemente retratada como o oposto: um sistema de partido único, considerado por muitos como ditatorial. No entanto, há uma diferença essencial entre os dois modelos: na China, o poder financeiro não controla o poder político.
É verdade que a China abraçou o capitalismo em várias dimensões, tornando-se a segunda maior economia do mundo e, em muitos setores, até superando os Estados Unidos. Mas, diferente do que ocorre no Ocidente, as grandes corporações chinesas — mesmo as privadas — estão submetidas ao Partido Comunista Chinês. O partido pode intervir, regular, frear ou direcionar o setor econômico sempre que considerar necessário.
Enquanto no sistema americano as corporações ditam as regras do jogo, na China é o partido que coloca limites ao capital. Isso garante que, por mais que a economia floresça e bilionários surjam, nenhum deles terá mais poder do que o aparato político do país. O exemplo mais claro foi o caso de Jack Ma, fundador da Alibaba, que ao desafiar o partido viu sua empresa ser rapidamente enquadrada.
Além disso, o Partido Comunista Chinês mantém uma característica pouco lembrada no Ocidente: sua estrutura de representação inclui membros de diversas classes sociais, desde trabalhadores até intelectuais e empresários. Isso não significa ausência de desigualdades ou de autoritarismo, mas mostra que, ao contrário dos EUA, onde apenas o capital tem assento real na mesa de decisões, na China o poder político mantém-se soberano sobre o poder econômico.
Chamar o sistema americano de democracia é, no mínimo, generoso demais. O mais adequado seria chamá-lo de plutocracia — o governo dos ricos. Enquanto isso, o modelo chinês, mesmo com suas limitações de liberdade política, garante que o dinheiro não esteja acima do Estado.
Em resumo: os EUA oferecem ao mundo uma democracia de fachada, capturada por corporações, enquanto a China apresenta um capitalismo peculiar, sempre subordinado ao partido. Nenhum dos dois modelos é perfeito, mas a comparação mostra uma diferença essencial: na América, o povo é figurante; na China, o capital é subordinado.
“Na China não se pode mudar os políticos, ma se pode mudar a politica.Nos Estados Unidos da América pode-se mudar os políticos, mas não se pode mudar a politica”
RR


































