Pix na pauta

EUA questionam em audiência como PIX pode beneficiar o país

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JK

No primeiro dia da audiência do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre um possível tarifaço de 25% contra o Brasil, o Tesouro norte-americano perguntou a especialistas como o país pode “tirar proveito” do PIX.

A audiência foi dividida em sete sessões de diálogo, e o PIX foi tratado em uma delas, segundo relatos à reportagem.

Em cada uma das sessões, os inscritos tinham cinco minutos para realizar uma exposição e poderiam ser questionados por representantes do governo dos EUA. A “banca” norte-americana foi composta por oito técnicos, do Tesouro às áreas de agricultura e comércio.

Os participantes inscritos para defender a ferramenta foram Gustavo Pessoa, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), e Vinícius Nunes, executivo com experiência na área de pagamentos digitais. Após a exposição, ambos responderam a questionamento da funcionária do Tesouro.

À imprensa os participantes afirmaram que o Tesouro fez questionamentos sobre como os Estados Unidos poderiam “tirar proveito do PIX” e quais seriam as formas de cooperação possíveis para tal.

“A lógica deles é: a ferramenta está prejudicando minhas empresas, o que se pode fazer para mudar esse cenário e beneficiar minhas companhias”, disse o professor da FGV.

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Vinícius Nunes recebeu o mesmo questionamento e propôs em sua tréplica que houvesse algum nível de integração entre o PIX e o FedNow, a ferramenta de pagamentos instantâneos do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA.

“Defendi especialmente a cooperação entre os bancos centrais do Brasil e dos EUA para aperfeiçoar os sistemas”, disse o executivo à reportagem.

Nas exposições, entre outros dados, os especialistas afirmaram que, desde que o PIX foi lançado, as transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos no Brasil seguiram crescendo. Por isso, não haveria prejuízo aos norte-americanos.

Também argumentaram que mais de 900 prestadores de serviços de pagamento participam do PIX, e o Google Pay, uma plataforma norte-americana, tornou-se o maior iniciador de pagamentos do sistema.

Governo rejeita discutir PIX

Em reunião do grupo de trabalho entre Brasil e EUA na última semana, representantes do governo federal apresentaram aos EUA um plano com medidas que o Brasil pode adotar para contornar as investigações da “seção 301”, que serve como base para a ameaça norte-americana de taxar o país em 25%.

O Brasil apresentou as medidas que poderia estabelecer para contemplar preocupações norte-americanas relacionadas a cada um dos seis eixos da investigação, que critica desde corrupção ao controle do desmatamento. O governo, contudo, voltou a dizer que o PIX é inegociável e deixou a ferramenta de fora do documento.

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Parte das medidas apresentadas pelo Brasil são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto, apurou a reportagem.

Em reuniões anteriores, segundo fontes próximas ao assunto, o foco foi a discussão tarifária. O Brasil acenou aos norte-americanos com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias.

Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para um único país. Portanto, não poderia fazê-lo somente aos Estados Unidos. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os Estados Unidos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.

Entre os setores discutidos estão máquinas e equipamentos não produzidos no Brasil, como equipamentos para setor de saúde – especialmente de olho na forte e crescente demanda do SUS (Sistema Único de Saúde), e tecnologia de informação.

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