Por Rodrigo Rodrigues
Nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros escancara o uso político de Jair Bolsonaro, enquanto EUA tentam conter sua dívida trilionária com China e Japão e proteger Big Techs ao sugerir o fim do PIX, provocando reação unânime no Brasil
A tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros — especialmente do agronegócio e da indústria extrativa — não foi apenas uma medida protecionista. Segundo especialistas, ela revela um xadrez geopolítico onde o Brasil é peão, Jair Bolsonaro é peça decorativa e os verdadeiros interesses estão nas salas climatizadas das big techs americanas e nos cofres vazios do Tesouro dos EUA.
A farsa do protecionismo
O discurso oficial de Trump é claro: proteger empregos americanos e conter a “invasão” de produtos estrangeiros. Mas na prática, a tarifa é um gesto desesperado de um país que carrega uma dívida interna de mais de 37 trilhões de dólares, boa parte nas mãos da China e do Japão, seus maiores credores. Ao frear a entrada de commodities brasileiras — como soja, carne, minérios e celulose — os EUA tentam forçar um novo reposicionamento de seus parceiros comerciais e limitar a expansão de economias emergentes no mercado americano.
Mas o Brasil virou alvo fácil, com a conivência de figuras como Jair Bolsonaro, que mesmo fora do poder, atua como fantoche político de Trump. O ex-presidente brasileiro não apenas se cala diante da agressão tarifária como ainda ecoa discursos que favorecem interesses estrangeiros, como a crítica recente ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o PIX.
O ataque ao PIX: um favor às big techs?

A crítica ao PIX por parte de aliados de Bolsonaro e de lobistas alinhados com Washington não é coincidência. O sistema de pagamentos brasileiro, desenvolvido pelo Banco Central, barateou e democratizou as transações financeiras. Em contrapartida, atingiu em cheio os lucros de empresas de cartão de crédito, bancos tradicionais e fintechs ligadas às big techs americanas.
Sugerir o fim ou o controle do PIX seria um presente para conglomerados como Apple, Google, PayPal e Meta, que sonham em retomar o controle das transações digitais na América Latina — mercado onde o Brasil é líder e exemplo de inovação.
A reação unânime no Brasil

A ideia de mexer no PIX, porém, foi o tiro no pé da aliança bolsonarista com os interesses norte-americanos. Pela primeira vez em anos, políticos de todas as correntes ideológicas — da esquerda petista ao centrão e até liberais conservadores — reagiram com força, enxergando o ataque ao sistema como um gesto antipatriótico.
A Frente Parlamentar do Empreendedorismo, líderes do Senado, deputados de oposição e situação, além de representantes do Banco Central, uniram-se contra qualquer tentativa de desmonte do PIX. Nas redes sociais, a pressão foi tão grande que até influenciadores bolsonaristas recuaram, temendo serem vistos como “traidores da pátria” ou meros serviçais do governo americano.
O Brasil no jogo global
O episódio revela algo maior: o Brasil precisa decidir seu papel no cenário internacional. Vai continuar servindo como linha auxiliar dos EUA, mesmo quando isso for contra seus próprios interesses? Ou buscará uma posição autônoma, valorizando suas conquistas tecnológicas, defendendo sua soberania econômica e se posicionando como potência regional?
As tarifas de Trump, o endosso submisso de Bolsonaro e o ataque ao PIX são partes de um mesmo tabuleiro. Mas desta vez, ao que parece, o povo brasileiro e boa parte de sua classe política resolveram não jogar com cartas marcadas.
Os interesses por trás do ataque ao PIX
•Apple Pay, Google Pay, PayPal: perdem espaço no Brasil desde a implementação do PIX.
•Bancos tradicionais americanos: pressionam contra sistemas gratuitos que ameaçam o modelo de tarifas e intermediação.
•Lobby em Washington: tem feito pressão para que países latino-americanos sigam “padrões globais” de pagamentos, criticando soluções nacionais como o PIX.
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