Contradições sobre prejuízos ao BRB

Em diversos pontos do depoimento, Vorcaro argumentou que não teria havido crime na operação de venda das carteiras ao BRB, por ela ter sido desfeita posteriormente, sem prejuízos ao banco público, segundo ele.

“Para um crime ou para uma fraude acontecer, alguém tem que ter vantagem e outro tem que ter prejuízo. Nesse caso, o BRB não teve prejuízo, nenhum cliente teve prejuízo e o Banco Master não teve vantagem nesse negócio”, argumentou.

O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, lembrou em sua oitiva, no entanto, que a reserva de recursos a ser feita pelo BRB para cobrir as perdas com o Master pode chegar a quase R$ 5 bilhões.

O BC já determinou que o banco do DF faça um provisionamento (reserva financeira) de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas. E seriam necessários ainda outros R$ 2,2 bilhões.

Durante o depoimento de Vorcaro, os delegados da PF também questionaram a versão do banqueiro de que a operação não teria existido, por ter sido posteriormente revertida.

“Essas carteiras chegaram a ser vendidas e, por problemas vários, foram trocadas por títulos, por participativos. Outro tipo de ativo. Outro tipo de ativo, com outro tipo de liquidez, muito menor liquidez do que a inicial”, disse um dos delegados.

“Então, só para deixarmos claro, a operação existiu, o BRB efetivamente deu liquidez ao Master em algum momento com R$12 bilhões e o Master trocou os bens que vendeu ao BRB no meio do caminho e esses bens eram de liquidez distintas”, completou o delegado, mais à frente.

Ao que Vorcaro respondeu: “Distintas e que, no meu entendimento, gerou resultados para o próprio BRB ao longo desse ano.”

Tomada de decisão sobre venda de carteiras ao BRB

Vorcaro também confirmou ter participado diretamente do processo de aprovação da operação de venda de carteiras de terceiros aos BRB.

“Desde 2023 (…) até novembro de 2025, eu era o presidente. Então, todas as decisões estratégicas de novos negócios e transações relevantes da instituição dependiam da minha aprovação. Nesse caso específico, sim, era [responsável pela aprovação] pela relevância das transações.”

Vorcaro afirmou também não ver anormalidade no fato de o Banco de Brasília ter tentado comprar o Master mesmo depois de essa operação ter sido revertida após a constatação de irregularidades.

“Se o senhor fosse presidente do BRB, tentaria comprar um banco que já lhe havia vendido, mais de uma vez, carteiras de crédito falsas?”, questionou a delegada Janaína Palazzo, da PF.

“Primeiro, novamente, o banco não vendeu carteiras de crédito falsas para o BRB. E sim, se eu fosse o BRB, compraria. E foi uma pena o negócio ter sido negado. Uma pena para o mercado brasileiro, não só para o BRB”, disse o banqueiro.