Petrolíferas

Grandes empresas petrolíferas se unem para se opor à fusão Subsea7-Saipem em processo antitruste no Brasil.

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Por David Allen
As principais petrolíferas que operam no Brasil se uniram para se opor a uma proposta de fusão entre as empresas de serviços de energia Subsea7 e Saipem. Documentos públicos vistos pela Reuters mostram que a agência antitruste Cade solicitou às duas empresas que forneçam novos dados para a investigação na sexta-feira.
A nova empresa resultante, que se chamará Saipem7, teria uma posição suficientemente forte para impor custos adicionais, atrasar projetos e pressionar alguns clientes a firmarem contratos exclusivos de longo prazo, afirmou a IBP, associação da indústria petrolífera brasileira, em comunicado enviado ao Cade em novembro.
Na sexta-feira, semanas após receber o comentário do IBP, que representa as principais petrolíferas do Brasil, o Cade solicitou mais dados de ambas as empresas, alegando que não possuía as informações necessárias para analisar a fusão proposta.
Em declarações separadas à Reuters, tanto a Subsea7 quanto a Saipem afirmaram estar em contato com a Cade e as autoridades competentes, em conformidade com os termos do acordo de fusão firmado em julho.
A IBP recusou-se a comentar, e Cade encaminhou a Reuters para documentos públicos.
Caso a fusão se concretize, o grupo resultante terá uma carteira de encomendas de 43 bilhões de euros (US$ 49,9 bilhões), receita de cerca de 21 bilhões de euros e lucro operacional superior a 2 bilhões de euros, segundo comunicado divulgado pelas empresas em julho.

PREOCUPAÇÕES CONCORRENTES

Além do pedido de recuperação judicial feito pela IBP, a francesa TotalEnergies apresentou um estudo listando os impactos da fusão. Segundo o estudo, nenhuma medida seria capaz de neutralizar as preocupações com a concorrência em relação ao potencial domínio da Saipem7 no segmento de umbilicais, risers e flowlines submarinos – os chamados projetos SURF. A Exxon Mobil também havia manifestado preocupação nessa área.
O documento apresentado pela Total afirmava que a Saipem7 controlaria oito dos apenas 12 navios no mundo capazes de executar certos projetos SURF em águas profundas ou em condições climáticas adversas. Também levantou preocupações sobre o domínio em áreas potenciais de crescimento para empresas de energia, como serviços de descomissionamento e energia eólica offshore.
A Total não respondeu ao pedido de comentário.
Durante uma teleconferência sobre resultados financeiros em 20 de novembro, o CEO da Subsea7, John Evans, disse que esperava que a fusão fosse concluída até o segundo semestre de 2026. Evans afirmou que a Cade estava seguindo “os passos que esperávamos que seguisse”.
A análise do Cade foi solicitada pela Exxon, pela Petrobras (empresa estatal brasileira de petróleo) e pela TechnipFMC (empresa concorrente de serviços petrolíferos) em setembro , com as empresas pedindo o bloqueio do negócio ou a imposição de medidas como a venda de ativos para preservar a concorrência no Brasil.
Além de receber comentários da IBP, de grandes empresas e de companhias de serviços petrolíferos, documentos mostram que funcionários da Cade se reuniram com autoridades dos EUA, Moçambique e do Reino Unido, país que recentemente aprovou a fusão.
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