Por Rodrigo Rodrigues
A polêmica envolvendo o influenciador Hiltalo Santos ganhou novos desdobramentos nesta semana. Apesar de sua conta ter sido retirada do ar no Brasil, o perfil continua ativo e acessível em outros países, expondo uma brecha na forma como a Meta — controladora do Instagram e do Facebook — aplica suas decisões de moderação.
O caso veio à tona após denúncias do influenciador Felca, que em uma série de vídeos e postagens acusou Hiltao Santos de adultizar crianças e adolescentes em seu conteúdo. Felca apresentou trechos de vídeos e interações que, segundo ele, demonstrariam comportamentos impróprios e até possíveis violações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Com a repercussão, a Justiça brasileira determinou a remoção do perfil para usuários no país. No entanto, como a exclusão foi feita apenas por geobloqueio, qualquer pessoa usando uma rede privada (VPN) ou acessando fora do território nacional ainda consegue visualizar e interagir com o conteúdo de Hiltalo Santos.
Especialistas alertam que isso é um problema grave. “Quando a violação é clara, a remoção deveria ser global. Deixar o conteúdo acessível em outros países não apenas fragiliza a decisão judicial, como mantém a possibilidade de que crianças brasileiras sejam expostas por outros meios”, afirma a advogada Camila Lemos, especialista em direito digital.
A Meta tem histórico de aplicar remoções restritas por região, mas críticos defendem que, em casos envolvendo exploração ou riscos a menores, a política deveria ser universal. “Não estamos falando de uma discussão política ou de censura a opinião. É sobre segurança infantil”, completa Lemos.
Felca voltou a se pronunciar ontem, acusando a plataforma de “fazer vista grossa” e pedindo que seus seguidores continuem pressionando para que a conta de Hiltao Santos seja totalmente banida.
Enquanto isso, organizações de proteção à infância e parlamentares já articulam medidas para obrigar as redes sociais a agir de forma mais ampla e preventiva nesses casos. O tema promete voltar ao Congresso nas próximas semanas, em meio ao debate sobre responsabilidade das big techs no Brasil.



























