Contudo, essas medidas foram “ignoradas pelas autoridades brasileiras”, e o que se viu ao longo dos últimos cinco meses foram elogios a Lula e diálogos abertos com o Brasil.

“Após a condenação de Bolsonaro, autoridades dos EUA prometeram retaliação. Mas ela nunca veio. Em vez disso, Trump começou uma relação com o adversário de Bolsonaro, Lula”, destaca um dos trechos da análise, citando o encontro dos dois presidentes na Assembleia Geral da ONU, quando Trump disse que ele e o brasileiro tiveram uma “grande química”.

Um mês depois, Trump e Lula se reuniram para conversas.

“A aparente capitulação de Trump mostra que seus esforços foram essencialmente inúteis. Na verdade, pode-se argumentar que eles saíram pela culatra. As tarifas brasileiras aumentaram os preços nos Estados Unidos para carne, café e outros produtos, justamente quando a Casa Branca enfrenta pressão crescente para aliviar os custos para os americanos”, afirma Jack Nicas.

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“Lula, um líder da esquerda latino-americana, saiu do confronto com Washington ainda mais forte politicamente do que entrou.”

Na última quinta-feira (20/11), dois dias antes das prisão de Bolsonaro, Trump assinou um decreto retirando as tarifas de 40% sobre diversos produtos brasileiros importados do Brasil.

Segundo Nicas, o desfecho “é um exemplo claro dos limites da capacidade de Trump de dobrar governos estrangeiros à sua vontade — e de sua disposição para abandonar aliados e se alinhar a um rival quando isso serve a seus interesses”.

“Trump praticamente admitiu a derrota. Bolsonaro está em uma cela, iniciando uma pena de 27 anos. E Trump — depois de uma reunião amistosa com Lula — acaba de remover as tarifas mais significativas contra o Brasil”, destaca.