JK
O presidente da política econômica do Brasil, Guilherme Mello, afirmou nesta sexta-feira que a estabilização da relação dívida bruta/PIB do país depende de decisões de política monetária, dando uma ideia do que ele poderia defender como um potencial presidente do Banco Central.
Mello fez essas declarações depois que o Ministro das Finanças, Fernando Haddad, revelou esta semana que o recomendou ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no conselho de definição de taxas de juros do banco central.
A agência Reuters informou, citando fontes, que Lula estava inclinado a nomear Mello, uma perspectiva que gerou preocupação entre muitos investidores que temem que ele possa favorecer uma política monetária mais heterodoxa e politicamente motivada.
Mello ajudou a elaborar o programa do governo e já defendeu anteriormente a redução das taxas de juros. Ele possui doutorado em economia pela Universidade Estadual de Campinas, amplamente considerada um polo de pensamento econômico não ortodoxo no Brasil.
Mello disse em uma coletiva de imprensa que se sentia honrado com o apoio de Haddad, mas se recusou a comentar mais, já que Lula ainda não havia lhe oferecido oficialmente o cargo. Essa escolha precisaria da aprovação do Senado.
“Estou à disposição do presidente e do ministro para desempenhar quaisquer tarefas que considerem adequadas”, disse Mello, acrescentando que seu histórico na secretaria de política econômica demonstra suas habilidades.
SEM COMENTÁRIOS SOBRE A PRÓXIMA DECISÃO DO BANCO CENTRAL
Questionado sobre a dimensão de um possível corte na taxa de juros na reunião do banco central no próximo mês, Mello recusou-se a comentar, mas afirmou que o governo vê espaço para flexibilização monetária.
Os responsáveis pela política monetária do banco central sinalizaram que começarão a reduzir a taxa básica de juros Selic, após um longo período em que a mantiveram em um patamar próximo ao máximo de 15% em quase 20 anos, com o objetivo de conter a inflação.
“A magnitude do corte na taxa é uma decisão do Copom (conselho regulador de tarifas)”, disse Mello.
Ele acrescentou que a perspectiva para a estabilização da dívida bruta era “claramente desafiadora”, mas argumentou que os resultados recentes sugerem que o governo está no caminho certo.
“A dívida claramente não é um indicador puramente fiscal. Ela depende de decisões de política monetária e de uma série de outros fatores, portanto, suas projeções podem mudar significativamente conforme a curva de juros se desloca”, disse ele.
O Tesouro Nacional do Brasil estima que a dívida bruta em relação ao PIB, um indicador-chave da sustentabilidade fiscal, aumentará em quase 12 pontos percentuais durante o atual mandato de Lula, que termina este ano.
Mello afirmou que o governo dispõe de ferramentas para estabilizar o crescimento da dívida no âmbito do quadro fiscal aprovado em 2023, que limita o crescimento real das despesas e estabelece metas de saldo primário.
COMENTE ABAIXO:

























