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A expansão do conflito com o Irã ameaça as exportações de grãos e o fornecimento de fertilizantes do Brasil.

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JK
Os agricultores brasileiros podem ser afetados pela escalada do conflito no Oriente Médio, segundo analistas e dados comerciais que mostram que a região é um destino fundamental para as exportações agrícolas do Brasil e um importante fornecedor de fertilizantes como a ureia.
Os ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, que por sua vez lançou ataques contra outros países da região e interrompeu o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, podem provocar o cancelamento de contratos de grãos e a escassez de fertilizantes no Brasil, país que é altamente dependente de importações.
Segundo a consultoria Argus, os exportadores estão avaliando se devem descarregar cargas de grãos em Omã para evitar problemas no Golfo Pérsico.
“A alternativa seria cancelar os embarques [de grãos]”, disse Argus à Reuters. “Também ainda não se sabe ao certo se as cargas poderão ser entregues em Omã e de lá enviadas aos seus destinos finais por caminhão ou trem.”
Cargas a granel, como milho, entram no Oriente Médio pelo Estreito de Ormuz, disse Arthur da Anunciação Neto, proprietário da agência marítima Alphamar Agencia Maritima.
A ameaça à navegação em águas cada vez mais perigosas elevou o custo do seguro marítimo, afirmou ele. Dez navios devem partir para o Irã nos próximos dias com mais de 600 mil toneladas de soja e farelo de soja brasileiros, segundo dados da Alphamar. Essas cargas, dependendo das circunstâncias, podem ser desviadas para outros destinos, disse Neto.
No ano passado, o Irã foi o principal destino das exportações de milho do Brasil, comprando cerca de 9 milhões de toneladas, o que corresponde a 20% do total exportado. A maior parte do milho brasileiro é exportada no segundo semestre do ano.

ROTAS DE TRANSPORTE CRIATIVAS

Os produtores de fertilizantes do Oriente Médio, especialmente o Irã, também são importantes fornecedores para os agricultores brasileiros.
Dados da consultoria Agrinvest mostram que o Brasil supriu 100% de suas necessidades de ureia com importações em 2025. Estima-se que 41% dessas importações, ou quase 3 milhões de toneladas métricas, passaram pelo Estreito de Ormuz antes de chegar ao Brasil, segundo os dados.
Francisco Vieira, diretor da consultoria Agroconsult, afirmou que a guerra provavelmente restringirá o fornecimento de ureia e aumentará os preços no curto prazo.
“Não se espera nada vindo do Irã”, disse Vieira. “Nem sequer sabemos se as fábricas deles estão sendo bombardeadas.”
Dados do governo mostram que o Brasil importou 7,7 milhões de toneladas de ureia no ano passado, sendo que os embarques do Irã representaram menos de 2,5% desse total.
Mas as remessas do Irã são frequentemente encaminhadas via Omã devido às sanções dos EUA que afetam a liquidação do comércio internacional com partes iranianas, e estimativas privadas sugerem que o Irã é a origem de cerca de 1,3 milhão a 1,4 milhão de toneladas de importações brasileiras anuais.
“A ausência de fornecedores do Oriente Médio causará um desequilíbrio na oferta [de ureia]”, disse Renato Françoso, da StoneX, à Reuters. O Oriente Médio exporta cerca de 22 milhões de toneladas de ureia, o que representa aproximadamente 40% do comércio global, afirmou ele.

PROBLEMAS À VISTA

Um conflito prolongado pode afetar o fornecimento de fertilizantes antes do ciclo de cultivo brasileiro de 2026/2027, cujo plantio começa em setembro, dizem analistas.
Thamires Cateli, fundador da empresa de consultoria e corretagem Hudie Consulting, afirmou que a guerra no Irã fez com que os vendedores retirassem suas listas de preços de ureia esta semana, interrompendo o comércio global.
Outros países poderiam substituir parte de eventuais perdas de remessas iranianas para o Brasil, mas os efeitos indiretos ainda não estão claros.
A produção no Egito, que representa cerca de 8% do fornecimento global, depende do fornecimento de gás natural de Israel, que também pode estar ameaçado, disse Françoso, da StoneX.
A China, outro grande produtor de fertilizantes, tem reduzido as exportações nos últimos anos para abastecer seu mercado interno.
A Rússia, que representou cerca de 16% do fornecimento global de ureia em 2024, também poderia suprir essa lacuna. No entanto, ataques com drones, como o ocorrido contra uma fábrica de fertilizantes em Smolensk no mês passado, ressaltaram as ameaças a essas cadeias de abastecimento.
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