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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirma estar pronto para um “trabalho honesto” com os EUA após receber uma proposta de plano de paz para pôr fim à guerra com a Rússia.
Diversos veículos de comunicação dos EUA relatam que, segundo o plano, Kiev abriria mão de áreas do Donbas, no leste da Ucrânia, que ainda controla, reduziria o tamanho de seu exército e se comprometeria a não ingressar na OTAN.
Não ficou claro qual foi o grau de envolvimento da Ucrânia na elaboração do plano, mas a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os EUA se engajaram “igualmente com ambos os lados”.
Em um comunicado separado, o gabinete de Zelensky afirmou que a Ucrânia “concordou em trabalhar nas disposições do plano de forma a levar a um fim justo da guerra”.
Segundo uma versão preliminar do plano, publicada na íntegra pelo Financial Times e pelo Axios, as forças armadas da Ucrânia serão limitadas a 600 mil militares, mas caças europeus serão estacionados na Polônia.
O texto afirma que Kiev receberá “garantias de segurança confiáveis”, embora não sejam fornecidos mais detalhes.
O projeto também afirma que a Rússia será “reintegrada à economia global”, por meio do levantamento das sanções e do convite para que o país volte a integrar o G7 – fórum das nações mais poderosas do mundo –, tornando-o novamente o G8.
Se confirmadas na íntegra, as exigências do plano parecem favorecer os interesses de Moscou.
Zelensky disse que espera conversar com o presidente dos EUA, Donald Trump, nos próximos dias sobre as propostas, que também incluem planos para a Ucrânia abrir mão de grande parte de seu arsenal.
Mas, em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, Leavitt rejeitou as sugestões de que o plano exigia grandes concessões da Ucrânia e disse que o presidente dos EUA o “apoia”.
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, vinham trabalhando discretamente em uma proposta há cerca de um mês e haviam dialogado com ambos os lados “para entender a que esses países se comprometeriam para alcançar uma paz duradoura e estável”, disse Leavitt.
“É um bom plano tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia”, acrescentou ela, sem fornecer mais detalhes. “Acreditamos que deva ser aceitável para ambos os lados. E estamos trabalhando muito para concretizá-lo.”
Um alto funcionário americano, que preferiu não ser identificado, disse à CBS News que o plano “foi elaborado imediatamente após discussões com um dos membros mais importantes do governo do presidente Zelensky, Rustem Umerov, que concordou com a maior parte do plano, após fazer diversas modificações, e o apresentou ao presidente Zelensky”.

Em uma declaração sobre o X, Zelensky escreveu: “O lado americano apresentou pontos de um plano para acabar com a guerra — a visão deles. Eu delineei nossos princípios fundamentais. Concordamos que nossas equipes trabalharão nesses pontos para garantir que tudo seja genuíno.”
A declaração foi feita após uma reunião em Kiev, na quinta-feira, entre Zelensky e altos funcionários militares dos EUA, incluindo o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, e o comandante supremo do Exército dos EUA na Europa, general Chris Donahue.
Apesar da reação morna de Kiev ao projeto de lei, Zelensky disse que “apreciava os esforços do presidente Trump e sua equipe para restaurar a segurança na Europa” – talvez uma forma de manter o presidente americano do seu lado, apesar da aparente postura branda de seu governo em relação à Rússia.
Em seu pronunciamento noturno na quinta-feira, Zelensky disse que a Ucrânia precisa de uma “paz digna” e que a “dignidade do povo ucraniano” deve ser respeitada.
Questionada sobre se a Europa esteve envolvida no processo de elaboração do plano, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse: “Não que eu saiba”.
“Para que qualquer plano funcione, é preciso que ucranianos e europeus estejam a bordo”, acrescentou ela.
Moscou minimizou a importância do plano, que, segundo rumores, inclui 28 pontos.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que, embora tenha havido “contatos” com os EUA, “não houve nenhum processo que pudesse ser chamado de ‘consultas'”.
Peskov alertou que qualquer acordo de paz teria que abordar as “causas profundas do conflito” – uma expressão que Moscou tem usado como abreviação para uma série de exigências maximalistas que, para a Ucrânia, equivalem à rendição.
O primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, disse: “O futuro da Ucrânia deve ser determinado pela Ucrânia e nunca devemos perder de vista esse princípio que sustenta a paz justa e duradoura que todos desejamos.”
Desde que iniciou seu segundo mandato no início deste ano, Trump lançou várias iniciativas com o objetivo de pôr fim à guerra na Ucrânia, incluindo uma cúpula bilateral com o presidente russo Vladimir Putin no Alasca, diversas visitas de seu enviado Witkoff a Moscou e rodadas de negociações com Zelensky e outros líderes ocidentais.
Mas, à medida que se aproxima o quarto aniversário da invasão russa em grande escala da Ucrânia, os dois lados permanecem em profundo desacordo sobre como pôr fim ao conflito.
Embora a Ucrânia tenha se tornado hábil em atacar infraestruturas militares e instalações energéticas russas com drones de longo alcance, os ataques de Moscou contra alvos ucranianos continuam sem cessar.
Na noite de quinta-feira, um ataque russo à cidade ucraniana de Zaporizhzhia matou pelo menos cinco pessoas, segundo o governador da região. Horas depois, o Ministério da Defesa da Rússia informou ter interceptado e destruído 33 drones ucranianos sobre diversas regiões russas.
No início desta semana, pelo menos 26 pessoas morreram em um ataque com mísseis e drones russos contra prédios residenciais na cidade de Ternopil, no oeste da Ucrânia. Outras 17 pessoas continuavam desaparecidas no local na quinta-feira, disse Zelensky ao apresentar suas condolências.

























