Anistia

Anistia para Bolsonaro no Congresso? O que dizem líderes do PT e do PL

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Por Flavio Meireles

Líderes do PT e do PL na Câmara dos Deputados afirmaram nesta terça-feira (02/09) que um projeto de anistia que pode eventualmente beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores está mais perto de caminhar na Casa.

De acordo com Sóstenes Cavalcante, líder do Partido Liberal (PL) Câmara, já há maioria dos deputados para pautar o assunto.

Segundo Cavalcante postou em suas redes sociais, somando as bancadas que seriam favoráveis a colocar a pauta em análise — PSD, Progressistas, União Brasil, Republicanos, Novo e PL —, haveria 292 deputados com essa posição, de um total de 513.

Os presidentes do Progressistas e União Brasil, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, anunciaram nesta terça-feira que seus partidos deixarão o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso implicará na perda de cargos, como o comando dos ministérios do Turismo e Esportes.

Em entrevista a jornalistas nesta terça, Cavalcante afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria avisado a líderes partidários que o assunto seria pautado — embora ainda não haja data determinada para isso.

O líder do PL na Câmara afirmou que a ideia é que a anistia abranja desde os atingidos pelo chamado “inquérito das fake news”, de 2019, ao “presente momento” — incluindo um mecanismo para beneficiar Bolsonaro, em caso de condenação do ex-presidente, por exemplo.

O ex-presidente é réu em uma ação penal que começou a ser julgada nesta terça-feira e está em prisão domiciliar, como medida cautelar. Moraes também é relator desse processo.

Sóstenes Cavalcante afirmou que o avanço do assunto teve “grande ajuda” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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“Ele trabalhou comigo todo fim de semana. Me ligou na quinta, trabalhou sexta, trabalhou sábado, trabalhou domingo…”, disse o líder do PL sobre a atuação do governador.

Líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, Lindbergh Farias publicou um vídeo denunciando a movimentação.

“No momento em que todo o Brasil tem a expectativa de condenação e prisão de Jair Bolsonaro, aqui no Parlamento, com articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, os maiores partidos anunciam que, acabado o julgamento, eles vão colocar pra votar a anistia de Jair Bolsonaro”, disse o petista.

Segundo relato de Sóstenes Cavalcante, Farias estava na reunião entre Motta e lideres partidários e ficou “bem chateado” com a perspectiva da pauta andar.

O julgamento de Jair Bolsonaro e mais sete réus em uma ação penal sobre uma trama golpista começou nesta terça-feira na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e está previsto para durar até 12 de setembro.

A reportagem  procurou a assessoria do presidente da Câmara, Hugo Motta, para confirmar se o projeto seria pautado e quando, mas ainda não recebeu confirmação.

A reportagem também pediu o posicionamento do governador de São Paulo, que teve agenda em Brasília nesta terça — oficialmente, consta no site do governo que ele se reuniu com o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Tarcísio e Bolsonaro em pé, observando manifestação; eles estão vestindo verde e amarelo, cores associadas ao bolsonarismo

Tarcísio de Freitas, cotado para ser candidato à presidência em 2026, afirmou na última sexta-feira (29/08) que seu “primeiro ato” no cargo seria conceder uma anistia a Bolsonaro.

“Na hora. Primeiro ato. Primeiro ato seria esse. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, disse Tarcísio ao jornal Diário do Grande ABC, quando perguntado sobre a possibilidade de um indulto a Bolsonaro.

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“Eu tenho plena convicção da inocência do presidente. Plena convicção. E, para mim, isso tudo que está acontecendo é extremamente injusto. E é por isso que a gente vai trabalhar para que uma anistia seja construída no Congresso Nacional, que é um remédio político e é um remédio que garante a pacificação.”

Entretanto, Freitas logo negou que seria candidato ao Planalto.

“Eu não sou candidato à Presidência, vou deixar isso bem claro. Todo governador de São Paulo é presidenciável pelo tamanho do Estado, mas na história recente só Jânio Quadros e Washington Luís chegaram à Presidência”, disse o governador, que foi ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro.

A situação de Bolsonaro na Justiça tem motivado retaliações do governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump. Ao anunciar tarifas de 50% contra o Brasil em julho, o republicano justificou que o ex-presidente estaria sofrendo uma “caça às bruxas” no Brasil.

Considerando uma eventual anistia aos apoiadores de Bolsonaro envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, uma pesquisa do instituto Datafolha realizada no fim de julho mostrou que a maioria dos brasileiros é contra um perdão para essas pessoas.

A anistia aos envolvidos no 8 de janeiro foi rejeitada por 55% dos brasileiros e aprovada por 35%.

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