OIGATE & PCC

Escândalo dos créditos da Oi pode resultar em prisões: esquema bilionário em Mato Grosso tem ligação com PCC

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Por Flavio Meireles
Uma investigação em segredo de justiça conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) aponta para um dos maiores escândalos de corrupção da história recente de Mato Grosso. No centro do caso está a compra de créditos da Oi, operação que envolveu cifras milionárias, favorecimento a advogados, suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC e irregularidades em contratos de empréstimos consignados de servidores.
O negócio: lucro privado, prejuízo público
Segundo a apuração, os créditos da Oi foram adquiridos inicialmente por R$ 90 milhões e revendidos ao governo do estado por R$ 380 milhões. A diferença de quase R$ 300 milhões teria irrigado um esquema de propinas e pagamentos a intermediários.
Um único advogado, que atualmente articula sua candidatura para uma vaga de desembargador, teria embolsado cerca de R$ 40 milhões.
O advogado dos R$ 40 milhões
Esse profissional é apontado como uma das figuras centrais da fraude. Além do envolvimento direto na operação, ele tem parentesco com uma ex-vereadora de Cuiabá acusada de desviar milhões da Câmara Municipal, o que reforça as suspeitas de uma rede de proteção política e jurídica para sustentar o esquema.
Dinheiro que foi parar no crime organizado
As investigações mostram que parte do dinheiro da negociação foi remetida a um fundo de investimento já citado em outros inquéritos sobre lavagem de capitais do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A descoberta reforça a tese de que o esquema em Mato Grosso funcionava como uma engrenagem de uma rede criminosa nacional, conectada a grupos especializados em movimentar valores ilícitos por meio do mercado financeiro.
O escândalo dos consignados
Em paralelo ao caso Oi, surgem denúncias contra empresas que administravam os empréstimos consignados de servidores públicos estaduais. Milhares de funcionários relatam terem sido lesados por cobranças abusivas e descontos ilegais em folha.
Há fortes indícios de que algumas dessas empresas de crédito consignado também mantinham ligações indiretas com os mesmos operadores do esquema da Oi, inclusive com conexões suspeitas ao PCC.
Pedro Taques ganha fôlego político
O ex-senador e ex-governador Pedro Taques atua diretamente no caso por meio de seu escritório de advocacia, que hoje representa diversos sindicatos de servidores públicos de Mato Grosso. Sua ofensiva contra as empresas responsáveis pelas fraudes lhe garantiu apoio maciço entre categorias estratégicas, em especial as forças de segurança do estado.
Taques, que já foi procurador da República e governador, volta ao centro do debate político ao se colocar como opositor frontal aos esquemas de corrupção. Segundo aliados, sua postura pode abrir caminho para uma candidatura majoritária em 2026.
Próximos passos
Fontes do MPF confirmam que as provas já reunidas são “robustas” e que uma operação de grande porte está prestes a ser deflagrada. Mandados de prisão, busca e apreensão já estão em fase de preparação.
O levantamento do segredo de justiça deve trazer à luz detalhes explosivos de uma trama que envolve políticos, advogados, empresários e, ao que tudo indica, conexões diretas com o crime organizado.
 1 – Entenda o caso Oi
•Créditos da Oi comprados por R$ 90 milhões
•Revenda ao estado por R$ 380 milhões
•Diferença de quase R$ 300 milhões
•Um advogado teria recebido sozinho R$ 40 milhões
2 – O que são precatórios e consignados
•Precatórios: dívidas do estado reconhecidas pela Justiça e que precisam ser pagas aos credores.
•Consignados: empréstimos descontados diretamente da folha salarial dos servidores, que, em Mato Grosso, viraram alvo de fraudes e cobranças abusivas.
3 – Quem é Pedro Taques
•Carreira: Ex-procurador da República, ex-senador e ex-governador de Mato Grosso.
•Atuação atual: Advogado de sindicatos de servidores, tem denunciado irregularidades nos consignados e no caso da Oi.
•Política: Ganhou novo fôlego com apoio de policiais e categorias do funcionalismo, podendo se reposicionar como candidato em 2026.
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