Por Flavio Meireles
A partir de 1º de agosto de 2025, entra em vigor a tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, conforme anunciado pelo ex-presidente e atual candidato à presidência, Donald Trump, em meio à sua campanha eleitoral. A medida, de forte cunho protecionista, tem como justificativa oficial “a defesa da indústria e da segurança econômica norte-americana”, mas já provoca forte reação nos setores produtivos e diplomáticos do Brasil.
Efeitos diretos: quais setores serão mais atingidos
Os segmentos mais afetados pela medida são:
• Alumínio e aço semiacabado: O Brasil é um dos principais exportadores desses produtos para os EUA. A tarifa torna esses itens menos competitivos frente aos produzidos localmente ou em países não tarifados, podendo gerar retração nas exportações e demissões em massa em estados como Minas Gerais e Pará.
• Carnes bovina e de frango: Com os EUA buscando proteger seus produtores locais, a nova tarifa pode inviabilizar boa parte das exportações brasileiras para esse mercado. Estima-se que as perdas imediatas superem US$ 1 bilhão/ano no setor.
• Produtos do agronegócio de alto valor agregado, como suco de laranja, celulose e etanol de cana-de-açúcar também entram na lista de afetados, especialmente em estados como São Paulo, Mato Grosso e Paraná.
• Segmento de tecnologia industrial e peças automotivas, que vinha crescendo no comércio bilateral, também será impactado. Empresas com joint ventures ou centros de distribuição nos EUA avaliam reduzir operações.
Impactos indiretos: desemprego e queda de arrecadação
Especialistas estimam que a medida pode causar:
• Perda de até 150 mil empregos diretos e indiretos no Brasil nos próximos 12 meses, caso não haja reversão diplomática da medida.
• Redução de até US$ 8 bilhões nas exportações brasileiras para os EUA já em 2025, valor que representa cerca de 15% do comércio bilateral anual.
• Queda de arrecadação federal e estadual, sobretudo em regiões que dependem da produção voltada à exportação. Estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste sentirão o baque mais intensamente.
• Desvalorização cambial temporária: com menor entrada de dólares pela via comercial, o real pode sofrer nova pressão, afetando ainda mais a inflação de produtos importados.
Reação do governo brasileiro
O Itamaraty classificou a medida como “hostil e desproporcional” e iniciou articulações com a Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a legalidade da tarifa. Já o Ministério da Indústria e Comércio afirmou que estuda medidas de retaliação pontuais e o redirecionamento de exportações para países como China, Índia e União Europeia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já havia classificado Trump como “uma ameaça global ao multilateralismo”, afirmou que o Brasil “não se curvará a imposições eleitoreiras”. A retaliação, no entanto, pode ser limitada, dada a dependência brasileira do mercado norte-americano em diversos setores.
Movimentação nos bastidores
Nos bastidores da diplomacia e do Congresso, cresce a pressão de empresários e líderes do agronegócio para que o governo encontre saídas diplomáticas. Governadores como Tarcísio de Freitas (SP) e Ronaldo Caiado (GO), aliados ao setor produtivo, devem ir a Brasília na próxima semana pressionar por ações emergenciais.
Enquanto isso, o clima é de alerta e incerteza no mercado. Empresas exportadoras já iniciaram revisões de contratos e planos de produção. “Essa tarifa é uma bomba econômica. Precisamos de resposta rápida e firme”, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.



















