Por Karen Loren
Washington – Após meses de tensão diplomática e econômica, a Casa Branca deu sinais claros de que a aliança automática com Jair Bolsonaro já não é prioridade para os Estados Unidos. Fontes próximas ao governo de Donald Trump confirmaram que pressões internas, o aumento da inflação, ações judiciais movidas por produtores agrícolas e uma dura contestação da Câmara Americana de Comércio Exterior forçaram a revisão da estratégia em relação ao Brasil.

O estopim teria sido o boicote da China à soja americana, que provocou uma onda de prejuízos bilionários aos fazendeiros do Meio-Oeste — tradicional base eleitoral de Trump. O lobby agrícola, aliado a associações empresariais e a parlamentares republicanos preocupados com as eleições de meio de mandato, exigiu que a Casa Branca recuasse em medidas consideradas “ideológicas demais e pragmáticas de menos”.
Nesse contexto, o governo Trump iniciou discretamente um processo de “desacoplamento” em relação à família Bolsonaro. Assessores diplomáticos já reconhecem nos bastidores que os custos de sustentar a retórica agressiva contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e manter o tarifaço sobre o aço e o etanol brasileiros superaram os benefícios políticos.

Em reuniões internas, advogados da Casa Branca alertaram que as ações judiciais movidas por grandes produtores de soja e milho poderiam prosperar, gerando indenizações pesadas ao governo. Além disso, a Câmara de Comércio Exterior americana divulgou um relatório contundente em que classificou a política de tarifas punitivas contra o Brasil como “contraproducente e nociva à competitividade americana”.
A decisão mais simbólica em estudo é a retirada das sanções impostas a ministros do STF, vistas no Brasil como uma ingerência inaceitável na soberania nacional. Segundo diplomatas, Trump teria concluído que sustentar esse conflito apenas reforçaria a narrativa de isolamento internacional de seu governo.
No front político, o afastamento de Bolsonaro é visto como um movimento pragmático. Trump estaria sinalizando a setores do Congresso que está disposto a “recalibrar” relações externas, mesmo que isso implique rifar aliados incômodos. “A Casa Branca nunca foi refém de Brasília; foi um jogo de conveniência que agora chegou ao limite”, disse um conselheiro do Departamento de Estado.

Economicamente, a reversão do tarifaço é tratada como prioridade. Exportadores de insumos agrícolas e industriais americanos pressionam pela retomada do comércio em condições normais, argumentando que o Brasil continua sendo um parceiro estratégico para a importação de fertilizantes e insumos energéticos.
Analistas ouvidos em Washington afirmam que Trump busca um reposicionamento tático: ceder em pontos sensíveis para acalmar os mercados internos sem parecer enfraquecido diante da base republicana mais radical. A ordem é evitar que a crise da soja e o encarecimento de alimentos alimentem ainda mais a inflação, já considerada um dos maiores riscos para sua governabilidade.
No Brasil, a sinalização de mudança de rumo foi interpretada como um duro golpe no bolsonarismo. Setores do agronegócio, que já vinham pressionando por maior previsibilidade nas relações exteriores, comemoraram a possibilidade de fim das tarifas americanas. Por outro lado, a ala ideológica do governo vê o gesto como “traição”.

A diplomacia brasileira, por ora, mantém silêncio oficial. Mas em corredores de Brasília já se admite que, sem o respaldo irrestrito da Casa Branca, a margem de manobra política de Jair Bolsonaro se reduz drasticamente.
Para analistas internacionais, o recuo de Trump expõe uma realidade que sempre esteve em segundo plano: a política externa americana é ditada por interesses internos e econômicos, e não pela lealdade pessoal a líderes estrangeiro




























