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José Medeiros: da porta dos fundos ao discurso de ocasião
José Medeiros chegou ao Senado pela porta dos fundos. Era suplente de Pedro Taques e assumiu a cadeira quando Taques deixou o Senado para disputar — e vencer — o Governo de Mato Grosso. A ascensão de Medeiros, porém, ficou marcada por uma controvérsia envolvendo a ata eleitoral de 2010, cuja alteração foi objeto de disputa judicial. Não é exatamente a trajetória que combina com quem hoje se apresenta como paladino da política de direita.
Antes disso, sua trajetória partidária passou pela esquerda: PT, PCB e, posteriormente, o PPS — sigla que abandonou a denominação de Partido Comunista para se chamar Partido Popular Socialista. A metamorfose política, portanto, não começou ontem.

Agora, candidato ao Senado, Medeiros tenta se apresentar como um dos principais representantes da direita mato-grossense. Mas surgem episódios que colocam essa narrativa sob questionamento.
Entre eles estão alegações e questionamentos públicos envolvendo sua esposa, servidora concursada da Prefeitura de Rondonópolis, que teria ficado à disposição do Senado, e seu filho, apontado em denúncias como beneficiário de remuneração municipal enquanto residiria em Brasília. São questões que exigem documentos, esclarecimentos e transparência — sobretudo de quem pretende representar o eleitor no Senado.
Há ainda um episódio politicamente mais incômodo. Um áudio atribuído a Medeiros, em conversa envolvendo o irmão do ministro Gilmar Mendes, circula com uma declaração na qual ele afirma que não atacaria ministros do Supremo Tribunal Federal. Se a gravação for autêntica e estiver corretamente contextualizada, a fala merece explicação pública, especialmente porque Medeiros construiu parte de sua imagem política justamente sobre o discurso de enfrentamento ao STF.
Também chama atenção sua proximidade política com Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Para setores da direita que defendem mudanças na condução do Senado e pressionam pela abertura de processos de impeachment de ministros do STF, essa relação é um ponto inevitável de questionamento.
No fim, fica o contraste: de um lado, o Medeiros que sobe ao palanque prometendo enfrentamento; do outro, o Medeiros das relações políticas, das alianças e das declarações privadas que agora precisam ser explicadas.
O eleitor pode fazer a pergunta que realmente importa: onde termina o personagem político e começa o verdadeiro José Medeiros?
É golpe..cai quem quer.





















