Por Rodrigo Rodrigues
Um dos mais longevos e influentes políticos em atividade no país, Júlio José de Campos é um nome indissociável da história de Mato Grosso. Nascido em 8 de julho de 1946, em Várzea Grande, ele construiu uma trajetória marcada por visão administrativa, habilidade política e um papel decisivo na transformação do estado em uma potência nacional.

A carreira pública de Júlio Campos começou cedo. Em 1973, aos 27 anos, foi nomeado prefeito de Várzea Grande, cargo que exerceu até 1975. À frente do município, implementou medidas de modernização urbana e incentivou a infraestrutura básica, preparando a cidade para o crescimento populacional e econômico que viria nas décadas seguintes.

Em 1978, foi eleito deputado estadual, dando início a uma carreira parlamentar de destaque. Quatro anos depois, em 1982, alcançou um feito histórico: aos 36 anos, tornou-se governador de Mato Grosso, sendo um dos mais jovens governadores do país naquele período. Seu governo (1983–1987) foi marcado por grandes obras estruturantes, como a abertura e pavimentação de rodovias, a interiorização da energia elétrica e incentivos à agropecuária. Essas ações foram decisivas para colocar o estado no mapa do agronegócio nacional.
Após o governo, Júlio Campos elegeu-se deputado federal em 1986, participando da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, que elaborou a atual Constituição brasileira. Em 1990, voltou a disputar uma eleição majoritária e foi eleito senador da República, mandato que exerceu até 1998, defendendo pautas ligadas à logística, ao setor produtivo e ao fortalecimento federativo.
Ao longo das décadas, manteve-se uma presença constante na política mato-grossense, sendo conhecido por seu perfil conciliador, sua memória política privilegiada e pela influência que exerceu em diversos grupos partidários, tanto da base quanto da oposição.

Hoje, aos 79 anos, Júlio José de Campos ocupa novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, após ser eleito deputado estadual nas eleições de 2022, pelo União Brasil (UB). Mesmo com décadas de vida pública, mantém o vigor político e o prestígio que o colocam, mais uma vez, entre os nomes cotados para disputar o Senado Federal em 2026.
O peso político e o possível retorno ao Senado
A eventual candidatura de Júlio Campos ao Senado reacende debates sobre o peso das lideranças tradicionais no cenário mato-grossense. Dono de uma biografia política rara, ele mantém trânsito em praticamente todas as esferas de poder — do agronegócio à classe empresarial, passando por prefeitos do interior e antigos aliados que hoje comandam cargos estratégicos.

Sua volta à cena majoritária seria vista como um movimento de reequilíbrio nas forças políticas do estado. Por um lado, representa a experiência e o legado de quem ajudou a erguer a base do desenvolvimento mato-grossense; por outro, desafia uma nova geração de políticos que tenta renovar o quadro local.

Independentemente de seu futuro eleitoral, Júlio José de Campos segue como um dos pilares da história política de Mato Grosso — uma figura cuja trajetória resume o próprio avanço do estado: da interiorização da infraestrutura à liderança nacional na produção de alimentos, e agora, rumo à industrialização e à consolida

























