No total, a droga movimentada pela quadrilha tinha um valor de atacado entre 30 e 40 milhões de dólares (R$ 168 a R$ 220 milhões), com um valor nas ruas que podia chegar a 110 milhões de dólares (R$ 615 milhões), segundo declarou a promotoria durante audiência.

O tribunal ouviu que a quadrilha usava codinomes para se comunicar entre si e com seu fornecedor — um homem conhecido apenas como “Bugsy” — por meio do aplicativo de mensagens criptografadas Signal.

Deborah Mason mantinha uma relação próxima com “Bugsy” e chegou a viajar de férias com ele para Dubai e Bahrein, em outubro de 2023.

Durante sete meses, “gângster Debbs” realizou 20 viagens transportando pelo menos 356 quilos de cocaína, além de fazer entregas e recolher dinheiro em espécie.

O juiz Philip Shorrock afirmou que ela tinha um “papel de comando” e a descreveu como “a capataz da obra que trabalhava sob as ordens de um gerente de projeto”.

“Como mãe, deveria ter dado exemplo a seus filhos, não corrompê-los”, disse.

O tribunal também ouviu que Mason não comprava drogas, mas participava da gestão de transações envolvendo vários quilos de cocaína.

A promotora Charlotte Hole declarou: “Ela também organizava os motoristas que trabalhavam para ela, mantendo contato por telefone desde a madrugada para garantir que estivessem acordados e os monitorando ao longo do dia”.

Estilo de vida luxuoso

O lucro foi a motivação e, segundo a polícia, Mason gastava de forma extravagante com roupas, bolsas e acessórios de grife.

Entre esses itens estavam uma coleira e uma guia da Gucci de 520 dólares (R$ 2.900) para Ghost — seu gato de raça bengal — e uma placa com o nome do animal gravado em ouro de nove quilates.

Quando foi presa, imagens mostraram Mason algemada no banheiro ao lado de uma toalha da marca DKNY.

Enquanto a conspiração se desenrolava, “gângster Debbs” recebia benefícios sociais no valor de 65 mil dólares (R$ 360 mil), segundo informou Hole no tribunal.

Mason “expressou o desejo de ir à Turquia para fazer procedimentos estéticos” e ficava com “parte do salário de outras pessoas”, afirmou a promotora.

Ela também marcou férias com a irmã na Cornualha, em Malta, Praga e na Polônia, e levou as filhas para Dubai, de onde continuaram comandando as operações no Reino Unido por meio de chamadas de vídeo.

‘Não é uma família comum’

Mason, cujo número estava salvo no telefone de um de seus filhos como “abelha rainha”, envolveu na trama suas três filhas, seu filho, e os parceiros deles.

Todos estão começando a cumprir as condenações de prisão. Uma amiga de Mason, Anita Slaughter, de 44 anos, também foi condenada.

O filho de Mason, Reggie Bright, de 24 anos, entregou pelo menos 90 quilos de cocaína em 12 viagens, muitas vezes acompanhado por sua parceira, Demi Kendall, de 31 anos, por sua irmã, Lillie Bright, de 27 anos, assim como sua própria mãe.

“Ele usava o codinome ‘Frank’ no Signal e era claramente conhecido e mantinha contato direto com o fornecedor”, declarou Hole, acrescentando que Mason pagava à quadrilha aproximadamente 1.340 dólares por viagem (R$ 7,5 mil).

Segundo a promotora, Reggie Bright e Demi Kendall foram flagrados operando seu próprio negócio de drogas a partir de trailers em Kent, violando uma sentença anterior, imposta por crimes relacionados ao tráfico.

Montagem de fotos que mostra dinheiro, um gato, um tênis e uma chaleira.
Legenda da foto,Entre as compras de “gângster Debbs” estavam acessórios de luxo para seu gato, tênis esportivos e uma chaleira Bugatti

A promotoria argumentou que a filha mais velha de Mason, Demi Bright, teve um papel importante nas operações, transportando cerca de 60 quilos de cocaína, ainda que não fosse tão ativa como os outros integrantes da família, já que contava com outras fontes de renda.

As outras filhas de Mason, Roseanne Mason e Lillie Bright, também foram declaradas culpadas.

Roseanne Mason, de 30 anos, participou de sete viagens identificadas, incluindo para Bradford e Manchester. Já Lillie Bright realizou 20 viagens, e o tribunal ouviu que ela tinha uma “expectativa clara de obter uma vantagem financeira significativa”.

Lillie Bright envolveu sua parceira, Chloe Hodgkin, que, segundo tribunal, será sentenciada posteriormente, após o nascimento de seu filho.

Como atenuante, cada advogado de defesa argumentou que todos os envolvidos eram “descartáveis” dentro do esquema mais amplo do tráfico de drogas, e que a maioria dos filhos eram apenas “mensageiros” que realizavam viagens por todo o Reino Unido.

Essa “não era uma família comum”, afirmou o promotor Robert Hutchinson. “Em vez de cuidar e proteger seus familiares, Deborah Mason os recrutou para montar uma organização criminosa extraordinariamente rentável que, no fim das contas, levou todos para a prisão.”

A promotora Hole disse que não foram encontrados indícios de pressão ou coerção para que eles participassem da conspiração, e que todos agiram com fins lucrativos.

O detetive Jack Kraushaar, da Polícia Metropolitana, que conduziu a investigação, descreveu a operação de Mason como “sofisticada” e afirmou que era “extremamente lucrativa pra os envolvidos”.

“O grupo foi arrastado para a criminalidade”, declarou, “atraído de maneira egoísta pelos ganhos financeiros do tráfico de drogas para sustentar estilos de vida luxuosos.”