CRIME ORGANIZADO

Master pagou R$ 3 milhões a empresa de ex-chefe de regulação do BC, mostram documentos

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Por Flávio Meireles

O Banco Master efetuou pagamento de R$ 3 milhões à empresa de consultoria JGM Solution, do ex-chefe do departamento de regulação do Banco Central (Denor), João André Calvino Marcos Pereira. A informação consta nos dados da Receita Federal e foram enviados pela instituição financeira em declaraçao de Imposto de Renda de 2025.

Calvino deixou o Banco Central (BC) em junho de 2025 após um período de licença. Ele foi o responsável pela área de regulação do órgão entre 2018 e 2023.

Durante a gestão dele, o BC aprovou a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, operação que deu origem à atual estrutura do Master.

O ex-servidor divide a sociedade da JGM Solution com a sua esposa. Criada em janeiro de 2024, a empresa está registrada em um endereço no centro comercial de Taguatinga (DF) e possui capital social declarado de R$ 10 mil.

Procurado, o ex-chefe da área de regulação do BC disse, em nota, que a JGM prestou serviços inicialmente a empresa no ramo de seguros privados, fora do escopo de regulação e supervisão do BC. Informou também que o serviço prestado ao Master ocorreu em data posterior à sua exoneração:

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“O serviço prestado ao Banco Master ocorreu em data posterior à exoneração de João André Marques Pereira, quando não possuía mais vínculo algum com o Banco Central. Tal serviço foi realizado nos termos do contrato firmado entre a JGM e aquela instituição, com todos os pagamentos devidamente declarados à Receita Federal e com comprovação de serviço prestado. Os pagamentos ocorreram a partir de agosto de 2025, também depois da exoneração.”

Procurada, a assessoria do BC informou em nota que o servidor deixou a chefia do Denor em janeiro de 2024, foi licendiado por interesse pessoal em março daquele ano e exonerado a pedido em junho de 2025.

No texto, o BC ressaltou ainda que o “Denor não participa das decisões sobre processos de mudanças de controle societário.”

Auditoria interna no BC sobre suspeitas de operações fraudulentas do Master no mercado financeiro e na tentativa fracassada de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB) aponta o envolvimento de dois servidores, que foram afastados do cargo: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e Belline Santana. Eles são acusados de atuar como consultores informais de Vorcaro.

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