Por Flavio Meireles
O berço da República

Em 15 de novembro de 1889, o Brasil rompeu com a monarquia e proclamou a República. O ato foi conduzido por militares insatisfeitos com o Império, mas não houve participação popular, tampouco um projeto democrático. O marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente, representava os interesses da elite militar e agrária, dando início a uma tradição: presidentes que falavam em nome da nação, mas governavam para poucos.

República Velha: a política do “café com leite”
De 1889 a 1930, a chamada República Velha foi comandada por oligarquias estaduais, sobretudo São Paulo e Minas Gerais. Era a “política do café com leite”. Nesse arranjo, o povo estava praticamente excluído da vida política: não votavam mulheres, pobres e analfabetos. As eleições eram controladas pelo voto de cabresto e pela manipulação dos coronéis. Revoltas populares — como Canudos, Contestado e a Revolta da Chibata — foram sufocadas com violência. O regime servia, essencialmente, para garantir os privilégios da elite rural.

Getúlio Vargas: modernizador conservador
A Revolução de 1930 pôs fim à República Velha e trouxe ao poder Getúlio Vargas. Durante quase duas décadas (1930-1945) e depois em novo mandato (1951-1954), Vargas implantou direitos trabalhistas, urbanizou e industrializou o Brasil. Mas também governou de forma autoritária, em especial no Estado Novo (1937-1945), uma ditadura de inspiração corporativista. Vargas nunca foi um líder de esquerda; sua base de sustentação eram industriais, militares e setores médios urbanos. O trabalhismo getulista concedia direitos, mas sempre sob forte tutela do Estado, mantendo a elite no comando.

João Goulart: o presidente de esquerda derrubado
Na linha do tempo republicana, João Goulart (1961-1964) é uma rara exceção. Ligado ao trabalhismo, defendia Reformas de Base: agrária, urbana, fiscal, bancária e educacional. Buscava enfrentar privilégios históricos e ampliar a participação popular. Essa agenda foi vista como ameaça direta pelos setores conservadores, que reagiram com força. Com apoio da elite empresarial, da grande mídia e dos Estados Unidos, os militares derrubaram Jango em 1964. Foi o ponto de inflexão que mergulhou o Brasil em mais de duas décadas de ditadura.

Ditadura militar: o longo inverno da direita

Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu um regime militar de direita autoritária. O poder foi concentrado nos generais-presidentes, que governaram sem eleições diretas, sob censura, perseguição e tortura. No campo econômico, o regime promoveu o chamado “milagre brasileiro”, sustentado por endividamento externo e crescimento concentrado. Enquanto grandes grupos empresariais prosperaram, a desigualdade aumentou e a repressão eliminou opositores. Foi um período em que a direita consolidou seu domínio com mão de ferro.

Redemocratização sem ruptura

Com a transição pactuada de 1985, o Brasil voltou à democracia sem punição aos crimes da ditadura. O primeiro presidente eleito diretamente foi Fernando Collor de Mello (1990-1992), de perfil liberal-conservador, cuja marca foi a abertura econômica e escândalos de corrupção que resultaram em impeachment. Na sequência, Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), apesar de discurso social-democrata, implementou privatizações, reformas pró-mercado e governou alinhado a interesses das elites urbanas e financeiras.


O ciclo progressista interrompido

A chegada de Luiz Inácio Lula da Washington recua: governo Trump rifa Bolsonaro e sinaliza retirada de sanções contra ministros do STF e fim do tarifaço (2003-2010) significou um rompimento parcial com essa tradição. Pela primeira vez, um líder operário chegava à presidência, representando de fato setores da esquerda. Seus governos ampliaram programas sociais, valorizaram o salário mínimo e promoveram inclusão de milhões. Dilma Rousseff deu continuidade até o impeachment em 2016, que expôs a fragilidade do projeto progressista frente ao peso das forças conservadoras no Congresso, no empresariado e na mídia.

O retorno do conservadorismo
Após o impeachment de Dilma, Michel Temer (2016-2018) adotou uma agenda liberal de ajuste fiscal e congelamento de investimentos públicos. A eleição de Jair Bolsonaro (2019-2022) levou a direita mais radical ao poder, com um discurso pautado no conservadorismo moral, no militarismo e na negação de pautas sociais. Seu governo reforçou o ciclo histórico de domínio da direita, aprofundando a polarização política.

A conta do tempo: quem governou o Brasil
Em 135 anos de República, a balança é clara:
•A direita governou cerca de 112 anos, somando a República Velha, o varguismo conservador, a ditadura militar, os presidentes liberais da redemocratização e o ciclo recente de Bolsonaro e Temer.
•A esquerda governou aproximadamente 23 anos, considerando o breve mandato de João Goulart (1961-1964) e os governos do PT, de 2003 a 2016, mais o atual retorno de Lula em 2023.
Ou seja, mais de 80% da história republicana brasileira foi escrita sob a direção de governos de direita.
O legado de desigualdade
As consequências desse domínio estão nas estruturas sociais do país: concentração de renda, desigualdade extrema, atraso educacional e baixa mobilidade social. São marcas que se perpetuam desde a República Velha, passando pela ditadura e chegando aos dias atuais. A história mostra que, se o Brasil é hoje um dos países mais desiguais do mundo, isso não é fruto do acaso, mas da hegemonia política conservadora que moldou a nação.
Portanto, baseado em fatos históricos e incontentáveis, se em 135 de república, 112 foram governados pela direita, ou mais de 80%, fato, então não é uma questão “ideológica”, mas pura matemática, que qualquer criança no ensino fundamental saber fazer.
O legado, então da direita, é de um país subdesenvolvido, desigual, pobre, miserável, com uma péssima educação de base e saúde pública e altos índices de violência.
Sendo assim não reta duvida alguma de quem é a “culpa”.
como diria aquele famoso detetive, sherlock Holmes: “é elementar meu caro watson“.
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