Criação de Isreal

A Criação do Estado de Israel, a Participação do Brasileiro Osvaldo Aranha, os Primeiros Conflitos com a Palestina e o Cenário Atual

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Por Rodrigo Rodrigues

A criação do Estado de Israel é um dos eventos mais marcantes da geopolítica do século XX. Ela se deu em um contexto de profundas transformações globais após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), marcada pelo Holocausto e pela necessidade urgente de um refúgio seguro para os judeus sobreviventes. O processo foi complexo, envolvendo decisões históricas da Organização das Nações Unidas (ONU), disputas territoriais e a atuação de líderes mundiais — entre eles, o brasileiro Osvaldo Aranha, figura central no desenrolar dos acontecimentos.

O Contexto Pós-Segunda Guerra Mundial

Após o fim da guerra, a Europa estava devastada. Estima-se que seis milhões de judeus foram assassinados no Holocausto, perpetrado pelo regime nazista. Milhares de sobreviventes estavam deslocados em campos de refugiados, sem lares para retornar. A Palestina, então sob administração britânica desde 1920, conforme mandato da Liga das Nações, tornou-se o foco das esperanças sionistas de estabelecer um lar nacional judeu, conforme previsto na Declaração Balfour (1917).

No entanto, a região já era habitada majoritariamente por árabes palestinos, o que gerava crescente tensão.
• Em 1945, a população da Palestina era de 1,9 milhão de pessoas, sendo 1,2 milhão de árabes palestinos e 600 mil judeus.
• Entre 1936 e 1939, já haviam ocorrido revoltas árabes contra a imigração judaica e o domínio britânico.
• A partir de 1945, a pressão internacional para resolver a questão aumentou, especialmente com o fluxo de sobreviventes do Holocausto tentando migrar para a Palestina.

Diante da crescente violência e incapacidade de administrar o conflito, o Reino Unido transferiu a questão palestina para a ONU em fevereiro de 1947, abrindo caminho para uma solução internacional.

O Papel Decisivo de Osvaldo Aranha

O diplomata brasileiro Osvaldo Aranha foi peça-chave nesse processo. Na época, ele era embaixador do Brasil e presidente da Assembleia Geral da ONU, cargo que lhe deu protagonismo nas negociações.

Aranha trabalhou intensamente para construir apoio à Resolução 181, que propunha a partição da Palestina em dois Estados:
1. Um Estado judeu (cerca de 55% do território).
2. Um Estado árabe palestino (cerca de 45% do território).
3. Jerusalém sob administração internacional devido à sua importância religiosa.

Em 29 de novembro de 1947, a proposta foi submetida à votação.
• 33 países votaram a favor,
• 13 contra,
• 10 se abstiveram.

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O Brasil, sob liderança de Aranha, votou a favor e foi fundamental na diplomacia que garantiu a aprovação por apenas dois votos além do mínimo necessário. O papel dele foi tão relevante que ficou conhecido como “o brasileiro que ajudou a criar Israel”.

A Criação de Israel e o Início da Guerra

No dia 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion, líder sionista e futuro primeiro-ministro, declarou oficialmente a independência do Estado de Israel, horas antes do fim do mandato britânico.

A resposta do mundo árabe foi imediata:
• Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o recém-criado país no dia seguinte.
• Começava a Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948-1949).

Israel conseguiu resistir e até expandir seu território, controlando 78% da Palestina histórica, um aumento significativo em relação ao plano original da ONU.
• Cerca de 750 mil palestinos foram expulsos ou fugiram, em um evento que ficou conhecido como Nakba (“catástrofe”, em árabe).
• Os territórios restantes — Cisjordânia e Jerusalém Oriental — ficaram sob controle da Jordânia, enquanto a Faixa de Gaza passou para o Egito.

A OLP, Yasser Arafat e a Luta Palestina

A resistência palestina se reorganizou ao longo das décadas seguintes. Em 1964, foi fundada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), com o objetivo de estabelecer um Estado palestino independente.
• Em 1969, Yasser Arafat assumiu a liderança da OLP e se tornou símbolo da luta palestina.
• Sob sua liderança, o grupo passou a realizar ataques armados e operações internacionais, inclusive sequestros e atentados, o que fez com que, durante anos, fosse considerado uma organização terrorista por países ocidentais.

A tensão aumentou ainda mais após a Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupou:
• Cisjordânia,
• Jerusalém Oriental,
• Faixa de Gaza,
• Península do Sinai,
• Colinas de Golã (Síria).

 

Essas ocupações são até hoje um dos principais pontos de conflito.

Em 1993, um momento histórico trouxe esperança: os Acordos de Oslo, assinados entre Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, com mediação dos Estados Unidos.
• A OLP reconheceu oficialmente o direito de existência de Israel.
• Israel reconheceu a OLP como representante legítima do povo palestino.
• Criou-se a Autoridade Nacional Palestina (ANP), com autogoverno limitado na Cisjordânia e em Gaza.

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No entanto, a implementação do acordo falhou devido a desconfianças, violência de ambos os lados e a expansão contínua de assentamentos israelenses em territórios ocupados.

O Reconhecimento Internacional da Palestina

A causa palestina ganhou força no cenário diplomático global. Em 2012, a Assembleia Geral da ONU concedeu à Palestina o status de Estado observador não membro, em votação que teve 138 votos a favor, 9 contra e 41 abstenções.

Nos últimos anos, cresce o número de países que reconhecem oficialmente a Palestina como Estado. Em 2024 e 2025, esse movimento se intensificou, com países tradicionalmente alinhados ao Ocidente anunciando mudanças em suas políticas externas.
Entre eles:
• França,
• Austrália,
• Canadá,
• Espanha,
• Irlanda,
• Noruega,
• Eslovênia.

Atualmente, mais de 140 países membros da ONU reconhecem a Palestina como Estado independente, incluindo o Brasil desde 2010, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Situação Atual e Perspectivas

O conflito permanece longe de uma solução definitiva.
• Israel continua controlando militarmente a Cisjordânia, além de manter um bloqueio rigoroso à Faixa de Gaza.
• Assentamentos israelenses continuam a se expandir, dificultando a criação de um Estado palestino viável.
• O grupo Hamas, que governa Gaza desde 2007, mantém uma relação conflituosa com a Autoridade Palestina e com Israel, protagonizando confrontos violentos, como o ocorrido em 2023, quando uma escalada de ataques levou a milhares de mortes.

A crescente onda de reconhecimento diplomático da Palestina é vista como uma pressão internacional sobre Israel e os Estados Unidos, que historicamente apoiam o governo israelense. Entretanto, sem um acordo político robusto, a realidade no terreno continua marcada por violência, deslocamentos forçados e tensões religiosas e territoriais.

A história da criação de Israel e da luta palestina está profundamente enraizada na geopolítica mundial. A atuação decisiva de Osvaldo Aranha, em 1947, ajudou a consolidar a existência do Estado de Israel, mas também marcou o início de um conflito que persiste há mais de sete décadas.

Hoje, com cada vez mais países reconhecendo a Palestina como Estado, o cenário internacional se transforma. Ainda assim, a paz parece distante, enquanto milhões de israelenses e palestinos seguem vivendo em meio a uma disputa histórica, territorial e religiosa que molda não apenas o Oriente Médio, mas toda a política global.

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