Escala 6X1

Oposição quer 10 anos de transição para fim da jornada 6×1

BIE - Banco de imagens externas - Amanhecer no Congresso Nacional. O Congresso Nacional é o órgão constitucional que exerce, no âmbito federal, as funções do Poder Legislativo, quais sejam, elaborar/aprovar leis e fiscalizar o Estado Brasileiro (suas duas funções típicas), bem como administrar e julgar (funções atípicas). O Congresso Nacional é bicameral, sendo composto por duas Casas: o Senado Federal, integrado por 81 senadores, que representam as 27 unidades federativas (26 estados e o Distrito Federal), e a Câmara dos Deputados, integrada por 513 deputados federais, que representam o povo. Foto: Pedro França/Agência Senado

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Por Bia Azevedo

O avanço do projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Congresso Nacional movimenta parlamentares do centrão em torno de uma proposta alternativa. O grupo se reuniu em torno de uma emenda apresentada pelo deputado Sérgio Turra (Progressitas-RS) que contempla setores da indústria, do varejo e outras áreas da economia. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau no Hora H.

Segundo Venceslau, já existe um acordo, inclusive com o presidente da Câmara, Hugo Mota, para aprovar três pontos centrais da proposta: a jornada de 40 horas semanais, duas folgas por semana e sem redução de salário. A regulamentação de outras profissões ficaria para um projeto de lei complementar do governo, considerado o plano B da proposta.

O que prevê a emenda de Sérgio Turra

A emenda do deputado Sérgio Turra traz uma série de contrapartidas que já encontram resistência. Entre os pontos, estão contrapartidas fiscais — algo que o governo já rejeita —, flexibilização trabalhista e isenção de carga tributária. Como exemplo de flexibilização, a proposta prevê a redução da alíquota do FGTS paga pelos empregadores de 8% para 4% sobre o salário do empregado. Além disso, a emenda contempla isenção total do INSS, dedução da carga tributária e mais força para as convenções coletivas.

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Apesar da articulação do centrão, Venceslau avaliou como pouco provável que essa emenda seja acoplada ao projeto principal, diante do acordo já firmado. A expectativa é de que os parlamentares transformem a aprovação em uma vitória política do Congresso Nacional, dividindo os créditos com os autores do projeto, as deputadas Erika Hilton e Reginaldo Lopes. Em um segundo momento, a discussão sobre jornadas específicas — mais de 14 jornadas diferenciadas — deverá ser negociada ponto a ponto.

Divisão entre PEC e projeto de lei

A analista de Política da CNN Edilene Lopes explicou como o Congresso pretende estruturar a aprovação da matéria. De acordo com ela, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ficará com a parte central da proposta — o fim da escala 6×1, o início da escala 5×2 no mínimo, com pelo menos dois dias de folga na semana, e a redução da jornada de 44 para 40 horas. Já o projeto de lei do governo ficará com os pontos mais polêmicos, funcionando como uma regulamentação do que for estabelecido pela PEC.

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Segundo Edilene, essa divisão foi feita pelos parlamentares para que o Congresso Nacional também ficasse com o capital político pela aprovação. O calendário prevê que a proposta possa ser apresentada em breve, com possibilidade de pedido de vista coletivo, votação na comissão no dia 26 de maio, e em Plenário, no dia 27 de maio.

Emendas que propõem, por exemplo, uma transição de 10 anos para uma jornada de 36 horas ou a retirada de setores essenciais como saúde e telecomunicações da proposta são vistas com resistência pela base do governo, mas poderão retornar na discussão do projeto de lei posterior.

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