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O governo brasileiro poderá atribuir cotas individuais de exportação para empresas nacionais de carne bovina que vendem produtos para a China, disse Luis Rua, secretário de Comércio do Ministério da Agricultura do Brasil, em entrevista nesta quarta-feira.
A medida é uma tentativa de “organizar o setor” após o anúncio de “medidas de salvaguarda” pela China, com o objetivo de restringir as importações e proteger sua indústria local, disse Rua.
“É uma discussão em andamento”, disse o funcionário por telefone. “Estamos conversando com o setor privado para encontrar alternativas e evitar uma corrida descontrolada”, afirmou, referindo-se à possibilidade de exportadores “se apressarem” em enviar carne bovina para a China, o que poderia, por exemplo, reduzir os preços.
O plano de atribuir cotas individuais para cada empresa poderá ser discutido já na quinta-feira, em reunião da Câmara de Comércio Exterior do Brasil (CAMEX), disse Rua.
A China impôs uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excedam as quotas estabelecidas por importantes fornecedores, incluindo Brasil, Austrália e Estados Unidos.
A medida entrou em vigor em 1º de janeiro por um período de três anos, com a quota total prevista para aumentar anualmente.
A quota total de importação chinesa para 2026 para os países abrangidos pelas suas novas “medidas de salvaguarda” é de 2,7 milhões de toneladas métricas, valor praticamente em linha com o recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas no total em 2024.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil em geral.
No ano passado, o Brasil exportou 1,648 milhão de toneladas de carne bovina fresca para o país asiático, um recorde histórico.
Conforme anunciado por Pequim, a cota de importação do Brasil será de 1,106 milhão de toneladas em 2026, 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão de toneladas em 2028.
Rua afirmou que ainda não está claro se os volumes em trânsito imediatamente antes do anúncio de Pequim — estimados pela indústria em cerca de 250 mil toneladas — serão contabilizados na cota brasileira de 2026, segundo o funcionário.
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