Sam Altman

Sam Altman alerta para o perigo da “internet morta” e o impacto da inteligência artificial no Brasil

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Por Rodrigo Rodrigues

O CEO da OpenAI, Sam Altman, fez um alerta contundente sobre os riscos da chamada “internet morta” (Dead Internet Theory) durante um painel sobre inteligência artificial em São Francisco. Segundo ele, estamos à beira de uma era em que a maior parte do conteúdo online será gerado por sistemas automatizados e não por pessoas reais, criando uma crise de confiança sem precedentes na história da web.

“Se não agirmos agora, em breve será impossível distinguir o que é genuinamente humano do que foi produzido por máquinas. Isso pode ameaçar a democracia, a economia e a própria noção de verdade,” afirmou Altman.

No Brasil, país com a quarta maior população conectada do mundo, o alerta tem peso especial, principalmente diante das eleições municipais de 2024 e das gerais de 2026, onde o uso de inteligência artificial em campanhas políticas já é uma realidade

O que é a teoria da internet morta

A teoria da internet morta surgiu em fóruns online por volta de 2021 e sugere que a maior parte do conteúdo na internet já não vem de usuários reais, mas de bots, algoritmos e inteligências artificiais. Esses sistemas são capazes de criar textos, imagens, vídeos e até perfis inteiros de maneira autônoma.

Um relatório recente da empresa Imperva revelou que, em 2024, 48% do tráfego global na internet foi gerado por bots, sendo 32% classificados como maliciosos — usados para espalhar desinformação, fraudes financeiras e manipulação política.

No Brasil, segundo a SaferNet, o número de denúncias relacionadas a perfis falsos e deepfakes cresceu 180% em um ano, impulsionado pelo barateamento e pela popularização de ferramentas de IA.

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Impacto no Brasil: eleições e manipulação digital

O Brasil é especialmente vulnerável a esse fenômeno devido a fatores como alta conectividade, polarização política intensa e uso massivo das redes sociais como principal fonte de informação.
De acordo com dados da FGV/DAPP, cerca de 82% dos brasileiros usam o WhatsApp e o Instagram para se informar sobre política, e mais da metade não checa a veracidade do conteúdo recebido.

Durante as eleições municipais de 2024, surgiram os primeiros casos documentados de deepfakes políticos em larga escala.
Um levantamento feito pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) apontou que, em ao menos 12 capitais, vídeos falsificados com vozes e imagens hiper-realistas de candidatos circularam nas redes, muitas vezes com mensagens negativas ou promessas falsas.

“Estamos vendo uma evolução na desinformação. Antes eram mensagens de texto ou memes; agora são vídeos e áudios praticamente impossíveis de distinguir do real,” explica o professor Fabro Steibel, diretor do ITS Rio.

A Justiça Eleitoral recebeu mais de 7 mil denúncias envolvendo conteúdo manipulado por inteligência artificial durante o período eleitoral, um aumento de 250% em relação a 2022.

O risco para a economia e o mercado digital

Além da política, o fenômeno da “internet morta” também ameaça a economia digital brasileira, especialmente o comércio eletrônico e o setor financeiro.
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), fraudes online cresceram 76% em 2024, muitas delas envolvendo chatbots usados para aplicar golpes sofisticados, como a clonagem de atendimento bancário e falsificação de boletos.

Um relatório da Febraban mostra que, em 2024, o Brasil perdeu R$ 2,8 bilhões em golpes digitais, e mais da metade envolvia uso de inteligência artificial para enganar consumidores.

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“A IA está tornando os golpes mais sofisticados. Hoje, criminosos conseguem criar vozes idênticas às de familiares ou gerar imagens falsas em tempo real para aplicar fraudes,” alerta Isaac Sidney, presidente da Febraban.

Propostas e medidas em debate

Diante desse cenário, Sam Altman defendeu a criação de protocolos globais para verificação de autenticidade, incluindo tecnologias que marquem automaticamente conteúdos criados por IA.
No Brasil, o Congresso discute o Projeto de Lei 2.338/23, conhecido como PL da Inteligência Artificial, que busca estabelecer regras para o uso dessas tecnologias, incluindo responsabilização de empresas e transparência nos algoritmos.

Entre as principais propostas estão:

• Selo de origem obrigatório para conteúdos gerados por IA, permitindo ao usuário identificar sua procedência;
• Auditorias independentes em plataformas digitais, com foco em transparência;
• Criação de órgãos reguladores especializados, com autonomia para investigar casos de manipulação digital;
• Programas de alfabetização digital, ensinando a população a reconhecer deepfakes e fraudes online

Um futuro em disputa

Altman concluiu sua fala destacando que o desafio não é apenas tecnológico, mas cultural e político.
Para ele, o futuro da internet ainda pode ser humano, mas isso dependerá de decisões tomadas agora, especialmente em países como o Brasil, onde a democracia digital está em estágio crítico.

“A internet foi criada para conectar pessoas, não para ser um campo de batalha entre algoritmos. Precisamos garantir que a verdade sobreviva,” disse Altman.

Com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando e a inteligência artificial cada vez mais presente no cotidiano, o Brasil será um campo de teste decisivo para o equilíbrio entre inovação e segurança digital.

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