Análise dos resultados das eleições municipais revela uma concentração de poder
sem precedentes em Mato Grosso, com o partido de Bolsonaro e a aliança liderada pelo partido
do governador Mauro Mendes controlando 86 das 142 prefeituras do estado.
CUIABÁ – O cenário político de Mato Grosso para os próximos anos foi claramente
definido nas urnas em 2024. Mais do que uma simples escolha de prefeitos e vereadores, as
eleições municipais consolidaram a hegemonia de duas superpotências políticas: o Partido
Liberal (PL), alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e a recém-criada federação União
Progressista (UP), formada pelo União Brasil do governador Mauro Mendes e pelo Progressistas.
Juntos, esses dois gigantes políticos agora governam 86 dos 142 municípios do
estado. Os dados, compilados a partir de um relatório detalhado sobre os resultados eleitorais,
são impressionantes e revelam o tamanho do domínio: os municípios sob sua gestão
concentram cerca de 85% de todo o eleitorado mato-grossense e são responsáveis por
aproximadamente 87% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado [2].
A federação União Progressista (UP) saiu como a grande vitoriosa em termos de
capilaridade, elegendo 64 prefeitos. As cidades sob seu comando, que incluem potências do
agronegócio como Sorriso, Tangará da Serra e Nova Mutum, somam 46,77% do PIB estadual [2].
A aliança, formalizada em abril de 2025 [5], une a força do União Brasil, que já era o partido com
maior número de prefeitos, com a estrutura do PP, criando uma máquina política com mais de
72 mil filiados no Estado [2].
Do outro lado, o Partido Liberal (PL) mostrou sua força nos maiores colégios
eleitorais. Com 22 prefeituras, incluindo a capital Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, o
partido agora governa sobre um território que, embora menor em número de cidades,
concentra cerca de 50% dos eleitores do estado [2]. Economicamente, seus municípios
representam 40,79% do PIB de Mato Grosso [2].Para analistas políticos, essa concentração de poder é um claro indicativo do que
esperar para as eleições de 2026. Com o controle da maioria esmagadora das prefeituras, tanto
o PL quanto a UP possuem uma base sólida para lançar seus candidatos ao governo do estado,
ao Senado e à Câmara dos Deputados.”
. O que vimos em 2024 foi a construção das fundações
para 2026. Quem tem prefeitos, tem cabos eleitorais, estrutura e visibilidade”, afirma um
cientista político local.
O domínio se estende também às câmaras municipais. O União Brasil elegeu 299
vereadores, seguido pelo PL com 202, mostrando que a influência dos partidos vai além do
poder executivo [6]. Com essa estrutura, a disputa pelo Palácio Paiaguás em 2026 tende a ser
polarizada entre os candidatos apoiados por essas duas forças, transformando Mato Grosso em
um dos tabuleiros mais estratégicos da política nacional.
Controle Conjunto (PL + UP)
86
Prefeituras (60,56%)
PIB Combinado (PL + UP)
~87,6%
da Economia do Estado
Desta forma, as eleições municipais de 2024 redesenharam o mapa do poder em
Mato Grosso, consolidando uma forte bipolaridade entre o Partido Liberal e a federação União
Progressista. A hegemonia desses dois grupos é avassaladora, controlando a vasta maioria dos
eleitores, da população e da riqueza gerada no estado.
Por fim, o que pode-se concluir é que o UP, liderada pelo partido do governador,
estabeleceu-se como a maior força em capilaridade municipal e poder econômico. O PL, por sua
vez, demonstrou força em centros urbanos densamente povoados, controlando mais da metade
do eleitorado estadual. Este cenário de duopólio cria uma base sólida para as disputas de 2026,
onde as alianças, a capacidade de mobilização dessas bases municipais e a gestão dos prefeitos
eleitos serão fatores decisivos para o sucesso nas eleições estaduais e federais.
Por Luciano Barco























