O primeiro a mencionar diretamente o presidente Donald Trump na sessão de abertura da Cúpula do Clima, evento que antecede a fase negocial da COP30, foi Boric.

“São tempos em que surgem vozes que decidem ignorar ou negar a evidência científcia sobre a crise climática. O presidente dos Estados Unidos disse, na última Assembleia Geral da ONU, que a crise climática não existe. E isso é mentira. E devemo ser capazes de revindicar o valor da ciência”, afirmou o chileno.

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Boric fez menção ao discurso de Trump em setembro, durante sua passagem pela Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Na ocasião, Trump classificou como uma farsa a chamada “pegada de carbono”, termo usado para designar as emissões de gases do efeito estufa.

“A pegada de carbono é uma farsa inventada por pessoas com más intenções e que estão trilhando um caminho de destruição total”, disse Trump.

Poucos minutos depois, foi a vez de Gustavo Petro se manifestar sobre a ausência e os discursos de Trump.

Segundo ele, a conduta de Trump é um dos “fetiches” que estariam impedindo o mundo de resolver a crise climática.

“O fato de que o senhor Donald Trump não vem e que ele tenha uma conduta pessoal de negação da ciência e que leve sua sociedade com os olhos fechados ao abismo, e com ela, a humanidade. O senhor Trump está equivocado. A ciência mostra o colapso se os Estados unidos não se move para a descarbonização da sua própria economia […] Está 100% equivocado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, disse Petro.

Petro e Trump já trocaram críticas mútuas nos últimos meses.

Sem apresentar provas, Trump chamou Petro de “traficante de drogas” que estaria incentivando a produção de drogas de forma massiva dentro da Colômbia.

Petro reagiu e escreveu uma postagem em suas redes sociais classificando Trump como “grosseiro e ignorante”.

O contexto dessa troca de acusações é o envio de embarcações e aviões militares dos Estados Unidos para o Mar do Caribe, e para o Oceano Pacífico, e a destruição de embarcações com o uso de armamento militar americano sob o pretexto de combater o tráfico internacional de drogas.

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Petro se opôs às operações americanas na Costa caribenha.

Presidente Lula falando no palco da COP30, em Belém. Ele usa um terno azul marinho. No púlpito está escrito COP30 Brasil Amazônia.

Lula, por sua vez, não fez nenhuma menção direta a Trump, mas criticou a ação de interesses contrários ao combate às mudanças climáticas.

“Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades sociais e econômicas e degradação ambiental”, disse.

O discurso de Lula, o primeiro de um chefe de Estado durante o primeiro dia da Cúpula do Clima, também foi marcado por uma contradição.

Lula defendeu que a COP30 produza alternativas para o “fim da dependência” do mundo em relação a combustíveis fósseis.

“Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, afirmou.

Por outro lado, há três dias, Lula disse em uma entrevista coletiva que seria uma “irresponsabilidade” afirmar que o Brasil não vai mais usar petróleo.

Além disso, ele defende as pesquisas sobre a existência de reservas de petróleo na bacia sedimentar da Foz do Amazonas.

Em outubro, o Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) liberou uma licença para pesquisa nesta região solicitada pela Petrobras.

A Cúpula do Clima continua na tarde desta quinta-feira e será encerrada na sexta-feira. A fase negocial da COP30 começará, oficialmente, na segunda-feira.