Grupo de Einstein seria considerado traidor no governo Netanyahu, diz especialista

O historiador Michel Gherman destaca que, apesar de o cargo de presidente em Israel ter função mais cerimonial, também é “extremamente político”.

“Einstein não foi convidado somente por ser judeu, mas por ter vínculos políticos com o movimento sionista e com a defesa da criação de Israel”, explica Gherman.

Ele lembra que outros judeus notáveis foram e são convidados para representar Israel “em cargos simbólicos, com intenção de melhorar a imagem do país”.

No início dos anos 1990, por exemplo, o ex-primeiro-ministro Shimon Peres defendia, em entrevistas, que o escritor Amós Oz deveria entrar na política.

Em 1952, o grupo do qual Einstein fazia parte, o Brit Shalom, tinha uma visão minoritária, mas jamais isolada, explica Gherman.

Fora que entre seus membros havia intelectuais respeitados e admirados internacionalmente, como os filósofos Hannah Arendt, Martin Buber e Gershom Scholem.

Foram participantes do Brit Shalom que fundaram a Universidade Hebraica de Jerusalém.

Mas, hoje, os membros do grupo seriam tratados como “traidores” pelo governo atual de Israel, diz Gherman, apontando que a gestão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não dá espaço para opiniões divergentes, como a defesa da solução de dois Estados.

“Quem seria o Einstein do nosso tempo? Imagine se essa pessoa aceitaria estar no cargo. Ada Yonath, vencedora do Nobel de Química e crítica da ocupação dos territórios palestinos e do que acontece hoje em Gaza, toparia? Acho que não.”

Como Einstein também não topou, quem acabou virando presidente de Israel naquele ano foi o historiador Yitzhak Ben-Zvi.

Já Menachem Begin, o político que visitou os EUA e foi criticado pelo cientista, ficou cada vez mais influente em Israel. Seu partido se tornou uma potência.

O Herut foi a principal legenda do conservadorismo israelense nas décadas seguintes. Begin virou primeiro-ministro em 1977, permanecendo no cargo até 1983.

Cinco anos mais tarde, o Herut foi absorvido por um outro partido de direita, chamado Likud. Desde 2006, seu líder é Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história do país: seus três mandatos, somados, têm quase 18 anos.