Por Rodrigo Rodrigues
Nos últimos anos, o discurso da soberania nacional tem ocupado espaço central no debate político brasileiro. Autoridades do governo federal reiteram a todo momento que o Brasil não pode aceitar “ingerências externas” nem abrir mão de sua autonomia sobre seus recursos naturais. Em tese, é um posicionamento correto — qualquer nação independente deve resguardar suas riquezas, suas fronteiras e suas decisões estratégicas.
Contudo, na prática, há um paradoxo: enquanto o governo afirma defender a soberania, mantém e até fortalece a influência de organizações não-governamentais (ONGs) internacionais, muitas delas financiadas por interesses estrangeiros, que se apresentam como defensoras do meio ambiente, mas atuam travando projetos de desenvolvimento do país.

O papel das ONGs no Brasil
De acordo com dados do próprio governo, milhares de ONGs atuam em território nacional, sobretudo na Amazônia. Muitas têm trabalhos sérios, em áreas de saúde, educação e preservação ambiental. Porém, outras são vistas com desconfiança: recebem vultosos recursos de fundações e governos estrangeiros, criam obstáculos a empreendimentos de energia, mineração e infraestrutura, e funcionam como verdadeiras trincheiras ideológicas.

Marina Silva: vitimismo ou estratégia política?
Neste cenário, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aparece como uma figura central. Admirada por setores internacionais e tratada quase como símbolo de resistência ambiental, Marina construiu sua imagem em torno de um discurso de sacrifício pessoal e de “vitimização”. Sempre em tom moderado, ela evita o confronto direto, mas defende com firmeza a ampliação das áreas de proteção ambiental e a submissão de grandes projetos a uma série de condicionantes que, na prática, acabam por inviabilizá-los.
Para críticos, esse comportamento não é inocente: representa o jogo de interesses externos, que não querem ver o Brasil se transformar em potência energética, mineral e agroindustrial plena. Países desenvolvidos, que historicamente devastaram seus próprios territórios, agora se colocam como guardiões do meio ambiente e pressionam o Brasil a manter intocados vastos recursos estratégicos.

A contradição da soberania
Se por um lado o governo fala em soberania, por outro abre as portas para agendas externas que limitam o crescimento nacional. É como se o discurso patriótico servisse de escudo para esconder concessões silenciosas a grupos internacionais. O resultado é uma soberania parcial, seletiva e, em alguns casos, meramente retórica.

Traição à pátria?
O deputado Eduardo Bolsonaro já foi acusado de “traidor” da pátria por se alinhar de forma submissa a pautas e figuras políticas estrangeiras, sobretudo dos Estados Unidos. Mas críticos afirmam que, por outro caminho, Marina Silva comete erro semelhante: sob o véu do ambientalismo, colabora para que o Brasil não avance no uso de suas riquezas.
Ambos, de modos diferentes, colocam os interesses externos à frente das necessidades estratégicas da nação.

O futuro próximo: superinteligência e a vantagem brasileira
Um elemento pouco discutido nessa equação é o impacto da superinteligência artificial e do computador quântico, que devem revolucionar a economia global em um futuro brevíssimo. Diversas profissões tradicionais se tornarão obsoletas, cadeias produtivas inteiras serão reorganizadas, e a riqueza das nações passará a depender menos da mão de obra e mais da capacidade de garantir energia abundante e alimentos em escala.

Nesse cenário, o Brasil desponta com uma vantagem estratégica incomparável: possui um dos maiores potenciais de geração de energia limpa do planeta (hidrelétrica, solar, eólica e biomassa) e é líder mundial em produção de alimentos. Enquanto outras potências terão de importar ou disputar recursos em conflitos geopolíticos, o Brasil poderá se consolidar como celeiro energético e alimentar do mundo.

Por isso, limitar o país em nome de uma agenda ambiental ditada do exterior pode significar abrir mão da maior janela de oportunidade histórica que o Brasil já teve. Soberania, nesse novo mundo, será sinônimo de autonomia energética e alimentar — e o país não pode se dar ao luxo de desperdiçar esse trunfo.



























