Checagem de fatos: Vídeo de fila de caminhões circula desde maio; não há registros de greve da categoria

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Um vídeo de uma fila de caminhões em uma estrada no Pará circula nas redes sociais desde maio deste ano e, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a concessionária que administra a rodovia, mostra um congestionamento causado pelas chuvas e pela sobrecarga de uma área portuária.
No Facebook, usuários compartilham as imagens afirmando que são de uma recente paralisação de caminhoneiros contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Caminhoneiros já estão entrando em greve. O Brasil precisa parar. Você apoia? O Brasil vai ter uma crise pior que a pandemia. Tanto faz quem fez o L e quem não fez, vai passar fome, a mesma coisa, é isso que o PT quer”, diz a legenda do conteúdo, opens new tab.
Reuters Image
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O mesmo vídeo está disponível nas redes sociais pelo menos desde 20 de maio de 2025, opens new tab. Nos comentários de posts com a filmagem, opens new tab no Instagram, vários usuários disseram que o registro era de um trecho da BR-230, a Transamazônica, em Miritituba, opens new tab — um distrito do município de Itaituba, no Pará.
A Reuters localizou outro vídeo, opens new tab que mostra os mesmos caminhões enfileirados no local em uma postagem de 16 de maio em um perfil chamado Itaituba no Instagram. O conteúdo diz que “o trânsito segue completamente parado na BR-230, entre os distritos de Miritituba e Campo Verde, no município de Itaituba, sudoeste do Pará”.
“Um vídeo gravado no local mostra uma extensa fila de veículos — incluindo carretas, carros de passeio e motocicletas — sem qualquer previsão de liberação do tráfego. De acordo com informações preliminares, o congestionamento é causado principalmente pela lentidão na operação dos portos da região”, completa.
A postagem também afirma que “as fortes chuvas que atingem a região também têm contribuído para o agravamento da situação, dificultando ainda mais a mobilidade e aumentando o tempo de espera dos motoristas”.
Notícias publicadas, opens new tab pela imprensa local, opens new tab em maio informam, opens new tab que a região vinha enfrentando extensos congestionamentos de caminhões devido à dificuldade de escoamento de soja no porto de Miritituba, uma das principais vias da rota de grãos, opens new tab do Mato Grosso e do Pará.
No mesmo mês, o g1 noticiou, opens new tab que caminhoneiros e motoristas “enfrentam um congestionamento quilométrico no trecho da BR-230 próximo ao porto de Miritituba” e relataram “falta de manutenção na estrada e agravamento da situação da via quando chove”.
À época, o prefeito de Itaituba, Nicodemos Aguiar, publicou um vídeo no Instagram, opens new tab dizendo que “o congestionamento de caminhões está travando o acesso à nossa cidade e prejudicando o dia a dia da nossa população”.
Segundo ele, empresas que operam no porto estavam descumprindo “uma das principais condicionantes ambientais, que é manter os caminhões nos pátios de triagem até o descarregamento; ao invés disso, estão usando a via pública como área de espera apenas para economizar”.
Em março, a imprensa, opens new tab também havia publicado matérias, opens new tab sobre engarrafamentos na BR-230.
A Reuters não conseguiu confirmar em qual ponto da rodovia ou de estradas adjacentes o vídeo checado foi registrado. A PRF disse à reportagem, sem precisar a data, que as imagens são de uma estrada não pavimentada entre a BR-230 e o porto, conhecida como Via Transportuária.

FALSA GREVE

A PRF também afirmou que, nas imagens, “não se trata de paralisação” nem de “nenhum tipo de manifestação da categoria de caminhoneiros”.
Segundo a corporação, a chuva causa transtornos nas condições de tráfego da estrada, “ocasionando congestionamentos e dificultando a descarga de caminhões que ficam aguardando” para chegar ao porto, com reflexos na Transamazônica.
Ainda de acordo com a PRF, não havia nenhum ponto com filas nos acessos ao porto nem registros de greve de caminhoneiros no local nesta terça-feira.
Conasa, opens new tab, concessionária que administra o trecho da BR-230, também disse à Reuters que “não há greve, e sim congestionamentos devido à necessidade de uma melhor gestão de programação de descarregamento por parte dos operadores das Estações de Transbordo de Carga (ETCs)” da região.

VEREDICTO

Legenda errada. O registro de uma fila de caminhões está disponível nas redes sociais desde maio e mostra um congestionamento para o descarregamento no porto de Miritituba, no Pará, não uma greve de caminhoneiros.
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