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O governo brasileiro está preparando um novo programa de renegociação de crédito com garantia federal para conter o crescente endividamento das famílias, disseram duas fontes com conhecimento direto do assunto.
A iniciativa, que deverá ser anunciada esta semana, retoma uma estratégia utilizada no início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As fontes pediram anonimato porque os planos ainda não são públicos.
A medida surge em um momento em que Lula pressiona por ações para aliviar a pressão sobre os orçamentos familiares antes das eleições de outubro, com sua vantagem sobre o principal rival, o senador Flávio Bolsonaro, diminuindo para um empate técnico nas pesquisas de segundo turno.
O programa anterior, “Desenrola”, implementado entre o final de 2023 e 2024, oferecia garantias por meio de um fundo governamental para mutuários de baixa renda que ganhavam até duas vezes o salário mínimo. Ao absorver parte do risco de inadimplência, incentivava os credores a conceder descontos maiores e estender o crédito para a liquidação da dívida.
O novo programa deverá ter como alvo mutuários inadimplentes, especialmente famílias de baixa renda, bem como indivíduos que estejam em dia com os pagamentos, mas com altos níveis de endividamento, disse uma das fontes. Também incluirá uma modalidade específica para micro, pequenas e médias empresas, acrescentou a fonte.
O ministro da Fazenda, Darío Durigan, disse a jornalistas em Brasília na terça-feira que o plano do governo para reduzir o endividamento das famílias está sendo discutido com Lula, mas que não divulgaria as medidas até que estejam prontas.
Ainda assim, ele confirmou que a versão atual do plano inclui ações para lidar com o endividamento de pessoas físicas e jurídicas.
Para reduzir os custos de empréstimo, o governo provavelmente injetará fundos no Fundo de Garantia Operacional, também utilizado na Operação Desenrola, disseram as fontes.
Uma das opções em discussão é canalizar para o programa fundos “esquecidos” que permaneceram no sistema financeiro, disse uma das fontes. Esses fundos totalizam atualmente 10,5 bilhões de reais (US$ 2,03 bilhões), segundo dados do Banco Central.
Dados do banco central mostram que o serviço da dívida das famílias atingiu 29,3% da renda em janeiro, igualando-se a outubro de 2025 e marcando o nível mais alto desde o início da série histórica, em 2011.
Os participantes do novo esquema de renegociação também enfrentarão restrições às apostas online, acrescentaram as fontes.
Durigan afirmou que o governo tem discutido medidas para limitar o endividamento futuro dos consumidores. O ministro não forneceu detalhes, mas mencionou como exemplo as dívidas decorrentes de apostas online.
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