A Ascensão do Crime Organizado: Como o PCC e o Comando Vermelho Expandem seu Poder no Brasil

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Por Rodrigo Rodrigues

Nos últimos anos, o Brasil testemunhou um crescimento alarmante do poder das facções criminosas, especialmente do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). De organizações regionais com atuação nos presídios, essas facções se transformaram em potências do crime organizado com ramificações internacionais, influência política e capacidade bélica que desafia o próprio Estado.

De dentro das celas para o controle das ruas

A gênese do PCC e do CV está ligada ao sistema penitenciário brasileiro. O PCC surgiu em 1993 no presídio de Taubaté (SP), enquanto o Comando Vermelho remonta aos anos 1970, nas cadeias do Rio de Janeiro. Inicialmente articuladas para proteção interna dos detentos, essas organizações logo evoluíram para estruturas criminosas complexas, voltadas principalmente para o tráfico de drogas, roubo de cargas, sequestros e lavagem de dinheiro.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2017 e 2024, o número de municípios com presença confirmada de facções criminosas saltou de 743 para mais de 2.000, cobrindo praticamente todo o território nacional. O PCC, com uma hierarquia rígida e foco na disciplina interna, tem expandido silenciosamente sua influência em estados do Centro-Oeste, Norte e Sul. Já o CV, mais descentralizado e violento, tem forte presença no Norte e Nordeste, com especial domínio na rota do tráfico pela Região Amazônica.

O Estado acuado

A expansão do crime organizado está diretamente relacionada à falência de políticas públicas em áreas como segurança, saúde, educação e infraestrutura nas periferias urbanas e em áreas de fronteira. A ausência do Estado tem sido suprida pelas facções, que oferecem desde ajuda financeira emergencial a moradores até “justiça” paralela, conquistando apoio e temor de comunidades inteiras.

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Em muitas regiões, agentes públicos — incluindo policiais, políticos e funcionários do sistema penitenciário — têm sido corrompidos ou intimidados pelas facções. Operações da Polícia Federal e do Ministério Público têm revelado esquemas de lavagem de dinheiro, financiamento de campanhas e infiltração em cargos estratégicos.

Guerra entre facções e civis no fogo cruzado

A disputa por territórios entre o PCC e o Comando Vermelho tem causado ondas de violência em vários estados. O caso mais emblemático ocorreu no Amazonas, em 2017, quando um confronto entre faccionados no Complexo Penitenciário Anísio Jobim deixou 56 mortos. A sequência de massacres em presídios revelou ao país a real dimensão da guerra silenciosa entre os grupos.

Na Paraíba, no Acre, em Rondônia, no Mato Grosso e até em cidades do interior paulista e mineiro, os confrontos armados se intensificaram nos últimos anos, muitas vezes vitimando civis inocentes. Segundo o Atlas da Violência 2024, cerca de 35% dos homicídios no Brasil estão diretamente relacionados a disputas entre facções.

Conexões internacionais e tráfico de armas

O avanço das facções ultrapassou as fronteiras brasileiras. O PCC mantém conexões com cartéis da Bolívia, do Paraguai, do Peru e até da Colômbia. O CV, por sua vez, tem laços com redes criminosas que atuam na tríplice fronteira. A internacionalização das atividades criminosas aumentou o poder de fogo das organizações, que hoje contam com armamento pesado e logística comparável à de grupos paramilitares.

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Relatórios da ONU e da Interpol apontam o Brasil como uma das principais rotas de exportação de cocaína para a Europa e a África. O porto de Santos (SP) é o principal canal de escoamento da droga, em parte dominado por operadores a serviço das facções.

O que está sendo feito – e o que não está

Apesar de operações pontuais e prisões espetaculares, especialistas apontam que o combate às facções é insuficiente e, muitas vezes, descoordenado. A ausência de uma política nacional efetiva de enfrentamento ao crime organizado permite que as facções se reestruturem rapidamente após as ações estatais.

O investimento em inteligência policial, controle de fronteiras e reestruturação do sistema prisional são vistos como pilares para conter o avanço. Mas sem uma política de segurança pública integrada, com foco também em prevenção e inclusão social, a tendência é que o poder das facções continue crescendo.

Um poder paralelo

O PCC e o CV não são apenas organizações criminosas: são estruturas de poder paralelo que desafiam a soberania do Estado. Enquanto houver desigualdade, ausência de políticas públicas e conivência de setores políticos e econômicos, o poder dessas facções tende a se expandir — silenciosamente, mas de forma devastadora.

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