No entanto, apesar das manifestações contrárias às tarifas durante a audiência pública, há entre vários dos participantes o sentimento de que é pouco provável que o Brasil escape da medida.

“Que vai ter tarifa, vai”, disse à BBC News Brasil Wagner Parente, CEO da BMJ Consultores Associados, que representa 11 setores que são alvos da investigação, entre eles os de café solúvel, móveis, papel e celuloses.

“Mas acho que há a possibilidade de alguns produtos serem excluídos”, afirmou Parente, que deve se pronunciar na audiência nesta terça.

St. Louis, da Public Citizen, sugeriu que os resultados da investigação “podem ter sido predeterminados”.

Ela citou os esforços de Trump de reconstruir sua política de tarifas após decisão da Suprema Corte no início deste ano que derrubou tarifas anteriores.

O que é a seção 301

A investigação comercial, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), tem como base a chamada seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974.

Esse instrumento pode ser usado para apurar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.

No caso brasileiro, são alvo as áreas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

No mês passado, ao concluir sua investigação, o USTR disse que certas práticas do governo brasileiro seriam “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos EUA e recomendou tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, foi divulgada uma lista de diversos itens que seriam excluídos da punição. Nessa lista estão, entre outros, carne bovina, suco de laranja e aeronaves.

O dia 15 de julho marca o final do prazo para que o governo americano, após ouvir as manifestações durante audiência pública, decida se vai seguir a recomendação do USTR e realmente adotar as novas medidas.

O Brasil também é alvo de uma segunda investigação do USTR, que tem como foco alegações de trabalho forçado, engloba mais de 50 países e poderá resultar em tarifas adicionais de 12,5% a produtos brasileiros.

Nesta segunda-feira (6/7), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou projeção de que, caso as duas propostas de taxação sejam adotadas, mais de 4 mil produtos brasileiros exportados aos EUA serão afetados, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações.