Segundo as investigações, os saques e depósitos eram feitos de maneira fracionada, em pequenos valores, para despistar a fiscalização, técnica conhecida como smurfing. Assim, as transações eram sempre realizadas no valor de R$ 9.999,00.

Jordy publicou um vídeo em suas redes sociais, chamando a busca e apreensão de “covarde”.

“É uma pesca probatória. Eu não vou me deixar abalar com isso. Estão fazendo essa mesma busca e apreensão na casa dos meus pais, dois senhores de idade. Mas nós não vamos nos acovardar”, afirmou.

Segundo ele, a alegação de que a empresa de aluguel de carros seria de faxada porque tem somente cinco carros em sua frota é “tosca”. Jordy classificou a operação como “ditadura do judiciário” e “perseguição”, afirmando que irão “vencer essa batalha no ano que vem”.

Sóstenes afirmou que quem lida com a questão dos carros alugados é o pessoal do seu gabinete, mas confirmou que fazia uso de veículos da locadora investigada.

Segundo as investigações, a empresa de locação de veículos Alfa Car, embora já não funcionando mais em seu domicílio, “o que permite concluir a dissolução irregular da empresa”, continuou recebendo pagamentos realizados por ambos os deputados. Esses pagamentos eram então reembolsados como despesas pagas com cotas parlamentares.

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“Não bastassem tais indícios que reforçam a hipótese de HARUE (ALFA CAR) ser empresa de fachada, há necessidade de rememorar que o RIF [Relatório de Inteligência Financeira] que deu início à investigação evidenciou transações suspeitas entre ITAMAR, secretário parlamentar do Deputado CARLOS JORDY e a HARUE (R$ 56.184,42 a crédito, e R$ 23.130,00 a débito), demonstrando um possível caminho do dinheiro saindo das cotas parlamentares para empresa e indo para os secretários parlamentares dos Deputados Federais”, diz trecho da decisão de Flávio Dino.

‘Movimentações suspeitas’

Carlos Jordy.

“Chama de igual forma atenção o fato de que o Deputado CARLOS JORDY tenha efetuado movimentações suspeitas no montante de R$ 75.343.67 em 63 operações a seu Secretário Parlamentar ITAMAR, o que evidencia o intrínseco e direto relacionamento econômico entre o Parlamentar e seu assessor.”

A investigação também aponta para conversas por WhatsApp em que os envolvidos falam sobre pagamentos “por fora”.

Além da busca e apreensão nas residências de Jordy, Sóstenes, e dos demais envolvidos, Dino determinou o levantamento do sigilo bancário de ambos os deputados, além de outros investigados.

“Tendo em vista elevados montantes movimentados pelos assessores parlamentares, é possível que haja outros vínculos ainda não identificados”, diz Dino em sua decisão.